Trensurb: um ano depois, blitz mostra estações mais seguras, mas com problemas de acessibilidade e banheiros fechados - Diário Gaúcho

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Transporte público13/04/2019 | 07h00Atualizada em 13/04/2019 | 07h00

Trensurb: um ano depois, blitz mostra estações mais seguras, mas com problemas de acessibilidade e banheiros fechados

Por outro lado, limpeza é o ponto com melhor avaliação. Número de seguranças metroviários encontrados subiu 


 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 11/04/2019: Blitz anual nas estações da Trensurb. Estação Mercado. (Foto: Omar Freitas / Agência RBS)
Estações são limpas, mas apresentam, com frequência, escadas rolantes estragadasFoto: Omar Freitas / Agencia RBS

Ainda não chegou o dia em que as escadas rolantes, elevadores e banheiros das estações da Trensurb foram encontrados em pleno funcionamento. Tampouco estações completamente protegidas por equipes de seguranças. Mas melhorou. Em comparação à última blitz realizada pelo Diário Gaúcho, há um ano, alguns itens avaliados pela reportagem se mantiveram bem, a exemplo da limpeza das estações, e outros melhoraram, como o número de seguranças. No entanto, cresceu o número de banheiros interditados e de elevadores parados.

A equipe do Diário Gaúcho percorreu as 22 estações do trem na última terça-feira, entre 9h30min e 14h, e avaliou escadas rolantes, elevadores, limpeza, banheiros e segurança. Seis escadas foram encontradas paradas (nas estações Mercado, Anchieta, Mathias Velho, Rio do Sinos, Unisinos e Santo Afonso). No ano passado, eram oito nesta situação. Conforme a Trensurb, as escadas das Estações Anchieta, Mathias Velho, Unisinos, Rio do Sinos já foram consertadas. As da Santo Afonso, têm uma em situação normalizada e, outra, necessita de substituição de degraus e aguarda chegada dos componentes para o conserto. Portanto, só deve voltar a funcionar em maio.

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Quanto à escada na saída para o Mercado Público, na Estação Mercado, há necessidade de um trabalho mais complexo de recuperação que será iniciado somente após a instalação de portões metálicos para garantir a segurança no local. Essa instalação, que inclui a colocação de portões de enrolar automatizados em mais 18 estações, deve iniciar ainda neste mês e estar concluída na Estação Mercado até o fim da primeira quinzena de maio, permitindo o trabalho na escada rolante. O tempo previsto para execução do serviço na escada, por sua vez, é de aproximadamente 20 dias.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 11/04/2019: Blitz anual nas estações da Trensurb. Estação Mercado. (Foto: Omar Freitas / Agência RBS)
Na Estação Mercado, escada rolante sem previsão de retornoFoto: Omar Freitas / Agencia RBS

Elevadores

Três elevadores foram encontrados fora de operação durante a blitz. Dois na Estação Mercado e um no Aeroporto. A assessoria de imprensa da Trensurb informou que na Estação Mercado, como são plataformas elevatórias, equipamentos diferentes dos elevadores das outras estações, há um contrato específico de manutenção. O novo contrato está em fase final de licitação, já houve um vencedor e sua documentação está sendo analisada. Se não houver irregularidades, o contrato deve ser assinado nos próximos dias e as plataformas devem voltar a operar até maio. 

Na Estação Aeroporto, já está em andamento o conserto de portas e mecanismos. O tempo previsto para conclusão é de aproximadamente 20 dias. 

Segurança

Também não foram localizados seguranças em sete pontos visitados (Niterói, Fátima, São Luis, Petrobras, Esteio, Luis Pasteur e Industrial). No ano passado, esse número era o dobro, quando não foram vistos seguranças em 16 estações. Conforme a Trensurb, a distribuição de agentes da segurança metroviária pelas estações e trens é feita conforme planejamento. A empresa, no entanto, não discute publicamente essa distribuição por se tratar de informação estratégica para a segurança do sistema. Embora tenha essencialmente uma função operacional, de assistência ao usuário, a segurança metroviária atua também para coibir e responder a ocorrências de delitos no sistema com ronda móveis, postos fixos, monitoramento de um circuito fechado de TV com cerca de 400 câmeras e integração com os órgãos de segurança pública (com estabelecimento de linhas diretas de comunicação e espelhamento de imagens do circuito fechado de TV), estes sim acionados sempre que há ocorrências mais complexas. 

Sanitários indisponíveis são problema 

Blitz do Diário Gaúcho nas 22 estações da Trensurb. Na foto, banheiros masculino e feminino da Estação São Leopoldo fechados.
Na Estação São Leopoldo, banheiros fechadosFoto: Jéssica Britto / Agência RBS

Chama a atenção para o número de banheiros interditados. A reportagem encontrou oito banheiros fechados, sendo que nas estações Rodoviária, Mathias Velho e São Leopoldo nem o masculino nem o feminino estavam abertos. Em Esteio, o banheiro acessível estava sendo usado pelo público masculino. Na Unisinos, apesar de constar avisos na porta de interdição, os banheiros estavam abertos. Nem todas as estações têm banheiros acessíveis, e onde têm, encontram-se chaveados. Questionados pela reportagem, alguns funcionários informaram que os cadeirantes já sabem que é preciso solicitar a chave para ter acesso. Quanto a isso, a Trensurb explica que a medida é necessária para garantir que serão utilizados somente por pessoas com deficiência e não pelo público em geral, diminuindo a possibilidade de atos de vandalismo. 

Em 2018, a Trensurb firmou contrato com uma empresa para a execução se serviços especializados de engenharia para manutenção predial de 17 estações do metrô, do Mercado a São Leopoldo, além da estação junto ao Aeroporto Salgado Filho. Segundo a empresa, o contrato está vigente e o atendimento é realizado em até 72 horas após o acionamento da empresa contratada. Todos os banheiros devem passar por serviços corretivos até segunda-feira.

Limpeza é o ponto alto

Assim como diagnosticado na última blitz realizada pelo DG, o único ponto que tem avaliação positiva em todas as estações é o da limpeza. Profissionais da área foram vistos em praticamente todas as paradas e, onde não estavam trabalhando no momento em que a reportagem passou, não havia vestígios de sujeira. Mesmo na Farrapos, onde só existem duas lixeiras na plataforma de embarque, a limpeza é ponto alto. 

Também foi possível observar o trabalho dos seguranças metroviários no auxílio a cadeirantes, deficientes visuais ou pessoas com mobilidade reduzida. Em mais de uma estação, quando o trem parava para o desembarque dos passageiros, já havia algum funcionário da empresa aguardando para acompanhamento.

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Reajuste de 147%

Desde 13 de março, a passagem unitária custa R$ 4,20, um aumento de 27%. Em fevereiro de 2018, já havia subido de R$ 1,70 para R$ 3,30, um reajuste acumulado de 147%, após 10 anos sem alterações no valor. 

A população segue vigilante quanto à qualidade após o segundo ano consecutivo de aumento na tarifa. Para a advogada Manuela Monteiro de Mesquita, 30, que usa quatro estações com frequência, o grande problema está nas escadas rolantes.

— As escadas rolantes estão sem funcionar com frequência, principalmente na Estação São Leopoldo. Quebrei o pé recentemente e tenho receio de usar o elevador porque tenho medo de ficar trancada dentro — disse. 

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