Silêncio atrapalha apuração sobre tiroteio na danceteria Stuttgart, em Porto Alegre - Polícia

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Pavor na balada04/11/2014 | 22h53Atualizada em 05/11/2014 | 00h52

Silêncio atrapalha apuração sobre tiroteio na danceteria Stuttgart, em Porto Alegre

Investigadores buscam testemunhas e vítimas do conflito na boate. Local, que pode ser interditado, foi palco de suposta rixa de grupos rivais

Silêncio atrapalha apuração sobre tiroteio na danceteria Stuttgart, em Porto Alegre Carlos Macedo/Agencia RBS
Direção da casa noturna resolveu fechar as portas Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS
Foi ouvida na tarde de terça-feira, pela 2ª Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a primeira testemunha do tiroteio que deixou um morto e 16 pessoas feridas na madrugada de segunda-feira, na Stuttgart Danceteria, no bairro Santana, em Porto Alegre. Seria a dona do carro onde estavam os cinco homens presos suspeitos de atirarem contra policiais. A mulher alegou que emprestou o veículo a um deles na véspera, e não teria ido à festa.

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Um dos desafios da polícia está em determinar a posição de cada uma das pessoas feridas na cena do crime. E, principalmente, quebrar o silêncio de todos, que temem ser envolvidos no que a polícia acredita ter sido um confronto entre grupos rivais do tráfico.

— Ainda é cedo para precisar se o confronto foi decorrente de uma rivalidade do tráfico ou se foi resultado de uma desavença no ambiente dessa e de festas anteriores. Primeiro, queremos determinar exatamente quais pessoas estavam envolvidas no tiroteio — informou o delegado Filipe Bringhenti, responsável pelo caso.

A principal hipótese apurada até agora dá conta de um suposto confronto entre traficantes do bairro Agronomia, contra outros, da Vila Cruzeiro, supostamente aliados aos que dominariam a área do bairro Azenha. As duas facções estariam disputando o mercado de distribuição de drogas.

Confira abaixo vídeo gravado no momento do tiroteio, enviado ao Diário Gaúcho pela ferramenta de troca de mensagens WhatsApp.


Outro vídeo, obtido pela Rádio Gaúcha, também registra o início do tiroteio.

Uma jovem de 22 anos continua internada

Na terça, os feridos no tiroteio já liberados pelo Hospital de Pronto Socorro (HPS) começaram a ser intimados a depor. A intenção do delegado é também ouvir os cinco homens presos em flagrante, suspeitos de atirarem contra policiais militares em uma abordagem no bairro Agronomia, na madrugada de segunda-feira. Eles tiveram prisão preventiva decretada.

— Temos indícios da participação deles no tiroteio — disse o delegado.

A suspeita é de que esse grupo tenha saído da festa após um desentendimento com os jovens da Vila Cruzeiro, que estavam em um camarote. Minutos depois, teriam voltado armados e rendido os seguranças. Ao chegaram no camarote, teriam iniciado a troca de tiros.

Tiago Querubim Silveira, 19 anos, foi um dos feridos e morreu o HPS. Ele era morador da Vila Cruzeiro e tinha antecedentes por tráfico.

Até a tarde de terça, apenas um dos feridos, uma jovem de 22 anos, permanecia internada no HPS. Por enquanto, não há impeditivo para que a Stuttgart Danceteria siga funcionando. No entanto, o diretor de fiscalização da Secretaria Municipal da Indústria e Comércio (Smic), Rogério Stockey, garante que o órgão municipal está preparado para fechar a casa noturna. A justificativa seria a falta de segurança no local, a exemplo da ação feita no começo do ano contra estabelecimentos do Centro.

Para isso, seria preciso uma solicitação da polícia. A comandante do 1º BPM, tenente-coronel Cristine Rasbold, informou que, provavelmente, será elaborado um  histórico de ocorrências policiais nos arredores da casa noturna. Isso, no entanto, não é a prioridade do batalhão.

— O primeiro passo será reforçar o policiamento e a fiscalização, com abordagens nos arredores e dentro do local — disse Cristine.

Na terça, os proprietários anunciaram, em nota, o fechamento temporário da Stuttgart. O advogado Carlos Freitas afirmou que ainda é cedo para falar em falha da segurança, pela entrada de armas no local. Desde 2012, a Stuttgart funciona amparada por uma liminar. O local não tem alvará de localização e de funcionamento. Um relatório sobre o incidente será anexado ao processo de interdição da casa noturna. O caso aguarda julgamento na 4ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre.

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