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Crime atrás da grades17/12/2014 | 21h24

Cabeças da facção Bala na Cara estão presos

Último líder foi pego em Viamão na madrugada desta quarta

Cabeças da facção Bala na Cara estão presos Divulgação/Polícia Federal
Polícia Federal fez operação para prender líderes da facção Bala na Cara Foto: Divulgação / Polícia Federal


Foram 45 dias de cerco ao homem considerado um dos cabeças da facção dos Bala na Cara até a noite de terça. Márcio de Oliveira Chultz, o Alemão Márcio, 34 anos, saía da apresentação escolar do filho quando foi surpreendido por homens da 1ª DHPP e da Brigada Militar de Viamão, no distrito de Águas Claras. Alertado por olheiros, Alemão Márcio ainda tentou fugir, mas foi capturado no momento em que entrava em um carro. Ele não esboçou reação. À noite, foi deixado no Presídio Central e reforçou o time dos comandantes da facção atrás das grades.
Praticamente todos os criadores da quadrilha, originária no Bairro Bom Jesus na década passada, atualmente, dão ordens a partir das prisões. Investigado, desde o ano passado, como mandante de pelo menos quatro homicídios (foi denunciado em um deles e tem prisão decretada por outro) e uma tentativa, Alemão tem condenações até 2038 e estava foragido desde o final de outubro, quando arrebentou a tornozeleira eletrônica que lhe mantinha sob monitoramento.

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Da esquerda para a direita: Márcio de Oliveira Chultz, o Alemão Márcio, Rafael Telles da Silva, o Sapo, Luís Fernando da Silva Soares Júnior, o Júnior, Fábio Fogassa, o Alemão Lico, e Marcos Rogério dos Santos Guedes, o Porcão. 

Saiba como funciona a quadrilha dos bala na Cara
Número 2 dos Bala na Cara tinha até olheiros para controlar sítio de Viamão

Nego Cris segue foragido

A polícia agora trabalha para encontrar outro dos supostos cabeças da facção também foragido. Cristian dos Santos Ferreira, o Nego Cris, 30 anos, tem mandado de prisão expedido pela Justiça em outubro por uma condenação por porte ilegal de arma. E prisão decretada por um homicídio cometido em 2012. Há informações, apuradas pela polícia, de que ele também esteja na zona rural de Viamão.
Em 2012, Nego Cris foi preso em uma operação do Denarc no sítio que mantinha em Taquara. O local, conforme revelou a polícia na época, tinha um campo de paintball rigorosamente vigiado. Serviria de lugar de treinamento de tiro para os Bala na Cara.
Denunciado como mandante de uma chacina em 2011, Nego Cris teria posição importante nas finanças do bando. Desde que os líderes começaram a ser presos, no entanto, ele teria assumido um papel mais ativo também nos casos de homicídios.


Alemão virou patrão na Bom Jesus
Alemão Márcio é considerado pela polícia um dos criadores da gangue dos Bala na Cara. Foi condenado por dois homicídios cometidos no começo da década passada, em ações que serviam para eliminar rivais na tomada do controle do tráfico no Bairro Bom Jesus. Desde que passou ao regime semiaberto, porém, teria assumido um papel diferente. E entre as suas atribuições, caberia também manter a "ordem" no berço da quadrilha.


Viamão é refúgio da facção

A prisão em Águas Claras seguiu aquela que parece ser uma sina da facção originária do Bairro Bom Jesus. Praticamente todos os líderes do bando foram presos em Viamão.
Em 2011, justamente em um sítio de Viamão, o Denarc descobriu o que julgou ser o primeiro laboratório de óxi no Estado. A droga encontrada era dos Bala na Cara. Segundo apuração da 1ª DHPP, o grupo teria em sítios uma localização estratégica para esconder armas e drogas. As buscas a esses materiais, que podem estar enterrados, prosseguem.
A cidade é também território de Fábio Fogassa, o Alemão Lico, atualmente preso na Pasc e apontado como um dos principais líderes da facção. Conforme investigação da Delegacia de Homicídios de Viamão, os Bala estão por trás de um dos mais violentos conflitos em Viamão atualmente, com uma série de homicídios no Bairro Santa Cecília.


Comando atrás das grades
Júnior Perneta – Luís Fernando da Silva Soares Júnior foi preso em outubro, pela segunda vez no ano, em uma operação da Polícia Federal que revelou as conexões dos Bala na Cara para trazer drogas à Região Metropolitana. Preso na Pasc, ele é considerado pela polícia o principal chefe do bando.

Alemão Lico – Fábio Fogassa cumpre pena na Pasc e, de lá, é apontado como um dos mandachuvas da facção. Teria gerência direta, e é investigado por homicídios, na Zona Sul de Porto Alegre e em Viamão.

Porcão – Marcos Rogério dos Santos Guedes é apontado como chefes mais próximos do comando da facção. Ele foi preso em outubro, pela Polícia Federal, no Bairro Bom Jesus.

Sapo – Rafael Telles da Silva, apontado como um dos gerentes do bando original. está atualmente no Presídio Central, depois de descumprir os limites do monitoramento eletrônico e ser capturado com documentos falsos na ERS-040, em Viamão, em outubro.

Barba – Paulo César Tonatto, apontado como um dos gerentes originais do bando, atualmente teria função de comando dentro da Pej, em Charqueadas.

Alemão Márcio – Márcio de Oliveira Chultz foi preso na noite de terça em Viamão. Estava foragido desde outubro e tinha prisão decretada por homicídios. Era o principal chefe da quadrilha nas ruas até então.

Os negócios dos Bala na Cara

Há pelo menos três anos o grupo ganhou status de facção nos presídios gaúchos e consolidou a sua forma de atuar em alianças, como franquias, com quadrilhas de tráfico locais em praticamente toda a Região Metropolitana.

Então a facção se divide em diversos comandos, que tornam cada vez mais difícil derrubar todo o grupo de uma só vez.

Uma operação da Polícia Federal, desencadeada em outubro, mostrou que os líderes da facção detêm o controle do que circula de drogas entre os aliados, e a partir daí, gerenciam os lucros que são repassados a cada nível da organização.

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