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Problema sem remédio

Usuários reclamam de falta de remédios nas farmácias públicas

Moradores da Capital e Região Metropolitana também se queixam da estrutura e dos horários de atendimento

20/11/2013 - 08h39min

Atualizada em: 20/11/2013 - 08h39min


O Diário Gaúcho fez uma blitz em farmácias de distribuição de medicamentos na Capital e Região Metropolitana. E o resultado é preocupante. Na semana passada, visitamos unidades em Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, Alvorada e Viamão. Em todas as cidades, ouvimos queixas de usuários que não encontraram remédios básicos ou controlados. Moradores também fizeram reclamações em relação à estrutura e ao horário de atendimento.

Na Capital, a crítica continua sendo à fila que se forma todas as manhãs do lado de fora do prédio da Farmácia de Medicamentos Especiais do Estado. Dezenas de pessoas, muitas delas idosas, aguardam horas em pé na Rua Riachuelo, expostas a sol, vento, chuva, calor, frio...

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o sofrimento terminará somente em 2014, com a transferência do setor para um novo prédio na área central.

Capital: drama na fila

O Estado sinaliza para 2014 uma ação para acabar com a fila de retirada de remédios especializados para tratamento de doenças de alta complexidade, que se forma todas as manhãs na esquina da Rua Riachuelo com a Avendia Borges de Medeiros, no Centro.

Ali funciona há anos de modo precário a Farmácia de Medicamentos Especiais do Estado. São cerca de 20 mil pessoas por mês. Em 2014, um local mais amplo está reservado na Avenida João Pessoa.

Sem espaço para aguardar no interior do prédio, idosos como a aposentada Vera Lima, 72 anos, são obrigados a chegar cedo e encarar longa espera. A reportagem não ouviu queixas de falta de medicamentos.

Na quarta-feira, Vera, que sofre de artrite e sente muita dor na coluna, encontrou um modo de amenizar o desconforto por ficar muito em pé.

- Eu viro para um lado, viro para outro, tento me ajeitar. Já estou há mais de meia hora aqui - desabafou Vera.

Maria Dulce Moreira, 55 anos, encara a fila porque não tem alternativa.

-Sinto muitas dores nas pernas. De vez em quando, dobro uma das pernas e coloco o pé na parede para aliviar - disse Maria. O projeto da nova sede da farmácia já foi aprovado. O novo local, de 510m², é na Avenida João Pessoa, 71. A expectativa é de que a obra seja feita no primeiro semestre de 2014.

A nova sede terá cem cadeiras de espera e 12 guichês (hoje são menos de 50 assentos e seis guichês). Resposta

Viamão: lista de medicamentos em falta

Mesmo sofrendo de depressão, a dona de casa Irene Maria Lima, 64 anos, criou coragem para ir até a farmácia municipal. Ao pedir o antidepressivo Fluoxetin, pelo segundo mês consecutivo, ouviu da atendente que o medicamento estava em falta.

- Terei de comprar, moço, mas não é baratinho não - reclamou Irene.

No portão da área de distribuição de medicamentos controlados, dois cartazes informavam que o posto estava fechado "por motivo de força maior" e a lista de 11 medicamentos em falta e sem previsão: Alendronato 10mg, Ácido Valproico 250mg e 500mg, e Ácido Valproico Solução, fitas para glicose, Clomipramina 25mg, Fenobarbital gotas, Haloperidol gotas, Levomepromazina 25mg, Nortriptilina 10mg e 25mg, Fluoxetina e Levodopa + benserazida. Embora o cartaz e a tranca, a Secretaria da Saúde informa que a unidade não estava fechada. Na segunda-feira, o setor ficou fechado por causa de alagamento. A secretaria admite que as medicações citadas estão em falta, mas que o estoque será restabelecido no prazo de 15 dias. Resposta

Alvorada: idosa reclama de atendimento

A dona de casa Helena Rodrigues de Quadros, 61 anos, chegou às 10h de quarta-feira na farmácia municipal. Saiu às 13h, sem levar todos os medicamentos. Três horas depois estava cansada, com dor, sentia-se mal. Helena reclamava da falta de prioridade no atendimento ao idoso. Ela conseguiu os remédios, menos um:

- Faltou um diurético, faz tempo que não tem - revelou, após cruzar o portão de acesso à unidade.

O livreiro Luiz Carlos Monteiro, 32 anos, voltou à farmácia para buscar Omeprazol. Segundo ele, no mês passado o medicamento estava em falta.

Resposta

Segundo a prefeitura, na quarta, havia Omeprazol. Atualmente, existe falha na entrega de Enalapril. Para amenizar o tempo de espera, a Secretaria da Saúde descentralizou o atendimento, com dispensários nas UBSs Americana, Umbu, Piratini, Algarve e URS 2 e 3. Esta medida teria reduzido em até cinco horas a espera.

Canoas: voltar na terça

Mesmo que distribua muitos medicamentos, alguns pacientes deixam a Farmácia Municipal de mãos vazias e com uma orientação: voltar na terça-feira seguinte, dia em que os estoques são repostos. A secretária Isabel Cristina Prass, 46 anos, saiu frustrada na quarta-feira passada. Ela foi retirar medicamentos para o pai que sofre de câncer na laringe, mas nem todos estavam là.

- O problema é que os remédios chegam e acabam rápido. Voltarei na semana que vem. Enquanto isso, compro até acabar o dinheiro.

Resposta

A prefeitura de Canoas argumenta que foi efetuada a compra do medicamento Dipirona, porém teria ocorrido problema com o fornecedor na hora da entrega. A regularização é aguardada para os próximos dias.

Esteio: horário ruim

Em Esteio, a Farmácia Municipal funciona das 8h às 11h30min e das 13h às 16h45min. Para os usuários, o horário poderia ser ampliado, pois muitos usam o intervalo do meio-dia para buscar medicamentos. E a professora aposentada Vera Lúcia Souza, 62 anos, reclama da falta de educação de alguns atendentes:

- As pessoas que vão ali são carentes, precisam de ajuda, atenção e são mal atendidas.

A lista do que estava em falta: Claritromicina 250mg, Complexo B, Eritromicina 500mg, Estrógenos conjugados creme, Nistatina (oral), Nortriptilina 25mg e 75mg, Óleo mineral (oral), Paracetamol 500mg, Codeína 30mg e Prednisona 5mg.

Resposta

A coordenadora da farmácia, Carla Müller, explicou que todos os medicamentos em falta estão em processo de compra. No máximo, em 30 dias, chegarão. Sobre o horário, entre 11h30min e 12h, os funcionários atendem os últimos usuários da manhã, repõem prateleiras e organizam o espaço para a tarde. Daí fazem uma hora de intervalo.

Sapucaia do Sul: senha para atrasados

Na farmácia municipal de Sapucaia do Sul, quem chega às 11h30min recebe as últimas senhas para o período da manhã. E quem ingressa no prédio até as 16h30min, ganha as últimas da tarde. Na quarta-feira passada, por volta da 13h, havia usuários aguardando atendimento. Segundo a funcionária que recebe as pessoas, o serviço atende de mil a 1,2 mil pessoas por dia. Porém, chegar cedo não garante ao usuário que ele conseguirá todos os medicamentos que procura.

Caminhando com a ajuda de uma muleta, o operador de máquinas Eri Ferreira Souza, 50 anos, deixou o prédio sem medicamentos para a pressão e o coração. Ele é diabético e tem pressão alta:

- Os mais caros sempre estão em falta. Quando não tem, faço lanches em casa para vender e ter dinheiro para comprar.

Resposta

Segundo a Secretaria da Saúde, dos 181 itens de medicamentos, só 13 estão em falta. Oito deles devem chegar nos próximos dias. Para os outros cinco foi encaminhado empenho via Associação dos Municípios da Região Metropolitana (Granpal) para a compra coletiva entre os municípios que fazem parte do consórcio.A demora estaria no trâmite burocrático dos processos.

Saiba mais

Remédios que o governo garante:

- Assistência básica - São os doados nos postos. Geralmente para doenças crônicas comuns, como hipertensão e diabetes, além de anticoncepcionais.

- Farmácia popular - Os mesmos medicamentos da assistência básica, só que repassados na rede de farmácias privadas, mediante cadastramento.

- Especializados - Atendem a necessidades mais complexas como tratamento contra o câncer.

- Estratégicos - Para endemias e moléstias que atingem regiões específicas do país, como tuberculose e dengue.

Como ter acesso pelo Sus:

- É preciso, primeiro, ser atendido por algum médico credenciado pelo Sus, fazer todos os procedimentos, exames, esclarecer a doença e o tratamento.

- Com a receita, que contenha o nome do princípio ativo (nome genérico), o paciente deverá conferir se o remédio consta na relação disponibilizada pelo Sus. Consulte a lista em http://migre.me/gGVlP.

As diferenças:

Remédios da atenção básica (saúde municipal) - Para ter acesso a estes medicamentos, o cidadão deverá procurar uma UBS, levando a receita médica oriunda do Sus.

Medicamentos especiais (saúde estadual) - É preciso abrir processo na Secretaria Municipal de Saúde, com a documentação abaixo.

Documentação necessária:

- Cópias: carteira de identidade, CPF, cartão Sus e comprovante de residência. Para menores, é preciso ainda comprovante de residência do responsável legal.

- Receita médica original atualizada com assinatura e carimbo do médico, com CRM.

- Relatório médico detalhado e cópias de exames que comprovem o agravo para o qual está sendo pedido o remédio.

- Informação do Cartão Nacional de Saúde do médico solicitante.

Onde abrir?

- Residentes em Porto Alegre - Av. Borges de Medeiros, 546, telefone 3901-1004.

- Em outros municípios - Ir à Secretaria Municipal de Saúde.


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