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Ex-preso tira nota máxima em TCC e quer iniciar mestrado neste ano

Lincoln Gonçalves Santos, 32 anos, apresentou trabalho de conclusão de curso em direito na Universidade do Vale do Itajaí, em São José (SC)

29/06/2016 - 21h44min

Atualizada em: 30/06/2016 - 09h05min


Lincoln apresentou trabalho de conclusão de curso no último dia 22, na Univali, em São José, Santa Catarina

Aos 32 anos, o ex-preso Lincoln Gonçalves Santos expõe conquistas, acredita na educação e faz planos para a carreira – quer iniciar o mestrado neste ano. Na última semana, ele concluiu a graduação em direito na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em São José, Santa Catarina e tirou nota máxima. A formatura será na primeira quinzena de julho.

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O título do trabalho é grande, mas comporta a complexidade do tema: "O sistema prisional brasileiro e a possibilidade de responsabilização internacional do país, por violação de documentos internacionais de proteção dos direitos humanos".

– Procurei meu orientador para me ajudar a mostrar como estava o sistema prisional no Brasil, para mostrar a realidade – conta ao Diário Gaúcho.

Lincoln detalha algumas violações listadas em seu trabalho.

– Basicamente, o direito à dignidade da pessoa humana. A superlotação dos presídios, por si só, já ofende esse princípio. Os presos também precisam ter alimentação e trabalho – aponta.

Lincoln não está mais preso, mas ainda cumpre pena por latrocínio. Agora, ele estagia em um escritório de advocacia, vínculo que deve ser mantido até o fim da graduação, e dorme em casa à noite.

Em 2018, quando ainda estiver cumprindo pena, o agora bacharel em direito pretende pedir liberdade condicional. Até lá, pretende ter concluído ou estar na fase final do mestrado para, quando não dever mais nada à Justiça, estar livre para dar aulas.

– Eu quero mostrar que mais pessoas merecem essa oportunidade. Não é ajuda, é uma oportunidade. O maior bem, no fim, não é para o detendo, é para a sociedade – garante.

Gratidão

Para assistir à apresentação de seu trabalho, ele convidou a juíza Denise Helena Schild de Oliveira, titular da 3ª Vara Criminal de Florianópolis. Ela foi a responsável por, em 2010, permitir que Lincoln iniciasse a graduação.

– O que sinto é o que toda pessoa que pede uma oportunidade sente: gratidão. (Ela) É uma pessoa que conseguiu enxergar além do que a sociedade enxerga – aponta.

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