Educação
Ex-preso tira nota máxima em TCC e quer iniciar mestrado neste ano
Lincoln Gonçalves Santos, 32 anos, apresentou trabalho de conclusão de curso em direito na Universidade do Vale do Itajaí, em São José (SC)

Aos 32 anos, o ex-preso Lincoln Gonçalves Santos expõe conquistas, acredita na educação e faz planos para a carreira – quer iniciar o mestrado neste ano. Na última semana, ele concluiu a graduação em direito na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em São José, Santa Catarina e tirou nota máxima. A formatura será na primeira quinzena de julho.
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O título do trabalho é grande, mas comporta a complexidade do tema: "O sistema prisional brasileiro e a possibilidade de responsabilização internacional do país, por violação de documentos internacionais de proteção dos direitos humanos".
– Procurei meu orientador para me ajudar a mostrar como estava o sistema prisional no Brasil, para mostrar a realidade – conta ao Diário Gaúcho.
Lincoln detalha algumas violações listadas em seu trabalho.
– Basicamente, o direito à dignidade da pessoa humana. A superlotação dos presídios, por si só, já ofende esse princípio. Os presos também precisam ter alimentação e trabalho – aponta.
Lincoln não está mais preso, mas ainda cumpre pena por latrocínio. Agora, ele estagia em um escritório de advocacia, vínculo que deve ser mantido até o fim da graduação, e dorme em casa à noite.
Em 2018, quando ainda estiver cumprindo pena, o agora bacharel em direito pretende pedir liberdade condicional. Até lá, pretende ter concluído ou estar na fase final do mestrado para, quando não dever mais nada à Justiça, estar livre para dar aulas.
– Eu quero mostrar que mais pessoas merecem essa oportunidade. Não é ajuda, é uma oportunidade. O maior bem, no fim, não é para o detendo, é para a sociedade – garante.
Gratidão
Para assistir à apresentação de seu trabalho, ele convidou a juíza Denise Helena Schild de Oliveira, titular da 3ª Vara Criminal de Florianópolis. Ela foi a responsável por, em 2010, permitir que Lincoln iniciasse a graduação.
– O que sinto é o que toda pessoa que pede uma oportunidade sente: gratidão. (Ela) É uma pessoa que conseguiu enxergar além do que a sociedade enxerga – aponta.