Seu problema é nosso
"O trato com a prefeitura tem sido cada vez mais difícil": Queixas viraram rotina no Jardim Itu e no Jardim Sabará
Três anos após a primeira lista de solicitações, moradores acumulam demandas e seguem cobrando soluções para o Passo da Mangueira

Três anos se passaram desde que um grupo de moradores dos bairros Jardim Itu e Jardim Sabará encaminhou à prefeitura de Porto Alegre uma lista de 42 demandas. À época, os pedidos abrangiam cuidados com praças, asfaltamento, construção de estruturas e cuidados com árvores.
As principais reivindicações, no entanto, eram relacionadas ao Arroio Passo da Mangueira, que registrava pontos de desabamento nos muros que ladeiam o fluxo d’água. Além disso, o local se transformara em um ponto de descarte irregular de resíduos.
Em setembro de 2023, a localidade até recebeu a visita da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosman) da Câmara de Vereadores da Capital. Em 2024, as demandas mais que dobraram e chegaram a 90 itens.
Em nova conversa com o Diário Gaúcho, após o envio da segunda leva de demandas, Joaquim Ramos, 70 anos, relatou que, apesar do contato com os órgãos públicos, nenhum problema era resolvido. Ele é fundador da Vizinhança Solidária Conselho Comunitário Itu Sabará, a qual ele descreve como “um grupo de cidadãos praticando a cidadania”. O grupo tem um histórico assíduo de busca por melhorias para os dois bairros, que já foram um só.
— O trato com a prefeitura tem sido cada vez mais difícil — diz Joaquim.
Violência e dengue se somam aos problemas antigos
Agora, Joaquim conta que o aumento da violência e do crime organizado no local tem trazido preocupação com a segurança.
A dengue foi outra preocupação que entrou na rota do bairro após a entrega da segunda lista. Em 2025, tanto o Jardim Itu quanto o Sabará estiveram na lista de regiões com óbitos registrados pela doença, conforme a prefeitura.
Uma demanda ainda é constante: a manutenção do Arroio Passo da Mangueira. Joaquim relata que não houve nova visita da Cosman após a realizada em 2023.
— Segundo a Cosman, teria que fazer a dragagem do Arroio. Não foi feito. Teria que fazer limpeza interna do arroio. Não foi feito. Há plantas com bem mais de dois metros de altura dentro do arroio. Não foram retiradas — relata Joaquim.
Com o passar dos anos, o arroio sofre com falta de dragagem e despejo de esgoto e lixo. No trecho que passa pela Rua Paula Soares, consertos nos muros de arrimo já foram realizados, mas são insuficientes.
Em dias de grande volume de chuva, relata Joaquim, o arroio enche e traz entraves em pontos cruciais, como no cruzamento entre as ruas Paula Soares e Lopes Teixeira. Em 2024, um motoboy morreu em decorrência disso.
A alegação que Joaquim recebe da prefeitura é de que apenas parcerias público-privadas ou empréstimo de dinheiro do exterior poderiam solucionar o problema.
Resumo da situação
A reportagem retomou, com o fundador da Vizinhança Solidária, os principais problemas enfrentados.
/// Há postes tortos e postes com iluminação cercada de galhos de árvores. Também há fios emaranhados e até soltos.
/// Houve asfaltamento em algumas ruas do bairro. Alguns buracos voltaram no mesmo local.
/// Podas são “quase um milagre”. Quando ocorrem, são feitas por empresas terceirizadas que, devido à falta de fiscalização, deixam galhos espalhados pelo chão.
/// A existência dos prefeitos voluntários de praça tem surtido efeito, pois cada um consegue fazer o levantamento de suas demandas. Porém, a falta de estrutura da prefeitura faz com que nem todas sejam atendidas. Já as roçadas e capinas foram regularizadas.
/// Os moradores também demandavam a instalação de Unidade Básica de Saúde na Rua República do Peru, o que ainda não ocorreu. Joaquim descreve, porém, que a prefeitura instalou contêineres de atendimento à saúde, em resposta a uma luta dos moradores.
*Com orientação e supervisão de Lis Aline Silveira