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Papo Reto

Manoel Soares: "Pimenta na ferida"

Colunista escreve no Diário Gaúcho aos sábados 

13/06/2026 - 04h00min


Diário Gaúcho
Diário Gaúcho
Manoel Soares/Arquivo Pessoal

Não podemos ser moldados pelas urgências. Sei que ler isso é algo que chega a dar aquela raivinha no coração, afinal, quem sabe de nossos problemas somos nós, e aí chega um maluco no jornal dizendo que, quando o bicho pega, temos que olhar para o outro lado

Mas é importante entender que tudo o que sentimos em relação ao que nos acontece está ligado ao que temos de memória do que já aconteceu, ou é baseado em nossa imaginação sobre o fato.

Sem querer complicar suas ideias no fim de semana, essa parada funciona mais ou menos assim: quando falamos sobre perder o celular na rua, por exemplo, dividimos nossos sentimentos em lembrança de quando já perdemos, ou as consequências por perder.

Infelizmente, o que lembramos das dores por ter perdido ou imaginamos que vai acontecer por perdermos não vai fazer o telefone aparecer em nossa mão.

O ideal é que usemos nossa energia para começar a pensar como teremos outro, afinal, em algum momento teremos que chegar nessa linha de raciocínio.

Nossa autopunição

A tortura de imaginar a dor que virá ou lembrar da dor que já aconteceu é um mecanismo de autopunição. Nossa cabeça fica revivendo os últimos momentos do fato, pensando no que poderíamos ter feito para evitar que estivéssemos naquela situação.

Minha dica é que, quando coisas complicadas acontecerem, não perca tempo se julgando ou se punindo, o mundo já faz isso o suficiente. Viver as situações que geram dor já é ruim, ficar remoendo é colocar pimenta na ferida, não precisamos disso.


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