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Museu da Cultura Hip Hop, em Porto Alegre, promove evento de slam com Mikaa e Bruno Negrão

Nas sextas-feiras, o colunista Émerson Santos escreve sobre educação, cultura, inovação e toda a diversidade presente nas comunidades

26/06/2026 - 22h10min


Émerson Santos
Émerson Santos
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Divulgação/Museu da Cultura Hip Hop
Negrão é uma referência do slam gaúcho.

São cinco os pilares do movimento que a equipe do Museu da Cultura Hip Hop, em Porto Alegre, utiliza como fio condutor para as ações realizadas por lá. Para além dos quatro elementos mais conhecidos, que são DJ, MC, grafite e breaking, o conhecimento completa os fundamentos essenciais. Sábado (27), às 14h, características de dois desses pilares estarão presentes no encontro que terá a presença de nomes de destaque da cena local.  

Mikaa e Bruno Negrão participam da primeira edição do Museu Literário 2026, que ocorre na Biblioteca Divilas. Eles têm trajetórias consolidadas por aqui, sendo referências do slam gaúcho. Para se ter uma ideia, Negrão é um dos responsáveis por popularizar os campeonatos de poesia falada. Ele também é autor do poema E se Jesus fosse preto, que conta com uma gravação no programa Manos e Minas e acumula milhares de visualizações no YouTube. Essa obra, inclusive, dá nome a um dos livros do artista, que reúne textos recitados por ele em rodas de slam.  

Foi também a partir das batalhas de rima e competições de poesia que Mikaa construiu sua trajetória. Criada no bairro Bom Jesus, ela começou sua caminhada nesse mundo poético em 2018. De lá para cá, integrou o coletivo Poetas Vivos; participou do livro NÓS: Versos de Liberdade e Melanina; e se tornou a primeira mulher a estar na final estadual de batalhas de rima. 

Esse evento em que eles participam no sáabdo faz parte do programa de editais Vem Pro Museu que, entre seus impactos, busca gerar renda para a cena hip hop gaúcha. O encontro é gratuito.

Palavras cantadas

Para quem ainda não conhece, o slam é uma competição de poesia falada e autoral. Em um encontro, a galera presente se reúne em roda para as apresentações, onde os artistas só contam com suas vozes e corpos. O formato lembra os MCs, que disputam seus versos. A diferença, aqui, é que não há uma batida musical e as rimas são textos previamente escritos. 

Nesses encontros, é comum que mensagens de tom social dominem as rodas. Nas letras, falas sobre educação, consciência de classe, identidade e pertencimento acabam surgindo. Uma transmissão de conhecimento a partir da oralidade. 

Te liga

  • Quando: amanhã, a partir das 14h
  • Onde: Biblioteca Divilas, no Museu da Cultura Hip Hop RS (Rua Parque dos Nativos, 545, Vila Ipiranga – Porto Alegre)

Emicida promove uma imersão na literatura

No Museu do Hip Hop, outra ação que envolve literatura também pode ser conferida. Nesse caso, há uma relação direta com um dos principais artistas do rap brasileiro. O projeto Leitura Emancipa é uma campanha que faz parte da turnê Racional MCMV, de Emicida. 

O cantor apresenta seu show em Porto Alegre no dia 4 de julho. A ideia da ação prevê a instalação de caixas de troca de livros em pontos estratégicos das cidades por onde a turnê passa. E, aqui na Capital, o Museu foi o local escolhido para o projeto de incentivo à leitura. 

A ligação de Emicida com os livros é antiga, desde a juventude. Em entrevistas, ele mesmo fala sobre a importância da leitura para a formação de seus pensamentos e visão de mundo. No material de divulgação, comenta que “o projeto foi concebido de maneira a convidar as pessoas a fazerem uma imersão profunda no universo dos Racionais MC’s”, que inspirou seu último álbum. 

Nas caixas, há os dois livros de Emicida, Amoras e Foi Assim Que Eu e a Escuridão Ficamos Amigas, além de Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC’s, e obras como A Vida Não É Útil, escrita por Ailton Krenak.

Livros nas mãos de 10 mil pessoas

Para seguir no universo da literatura, vou destacar o impacto positivo que uma rede de bibliotecas comunitárias tem gerado para territórios aqui do Rio Grande do Sul. Antes de falar em números, quero apresentar um pouco do trabalho que esse pessoal realiza.

A Rede Beabah!, que conta com bibliotecas comunitárias de diferentes cidades, está promovendo o projeto “Escritas periféricas na rede Beabah!: Expressão cultural através da literatura”. Essa é uma ação que reúne 11 instituições de cidades como Porto Alegre, Esteio, Eldorado do Sul, Canela e Alvorada. Foram promovidas, até o momento, 529 atividades culturais e 647 mediações de leitura. A estimativa é que, reunindo o público atendido nesses municípios, tenham alcançado mais de 11 mil pessoas e registrado mais de 10 mil empréstimos e consultas a livros.

Trabalho continua

Outra frente do projeto é fazer circular as malas de leitura, com 49 unidades distribuídas. Foi mais uma forma pensada pela rede para fazer as obras irem até as pessoas. 

Até dezembro, também seguem os encontros com autores locais e periféricos. A proposta é fazer esses escritores compartilharem as suas trajetórias, aproximando os escritores e as suas comunidades.


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