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Espetáculo transforma em dança as histórias de bailarinos de Porto Alerge

Nas sextas-feiras, o colunista Émerson Santos escreve sobre educação, cultura, inovação e toda a diversidade presente nas comunidades

03/07/2026 - 16h35min


Émerson Santos
Émerson Santos
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Fab Lütz/Divulgação
"Bailados Periféricos" é uma produção do Projeto Expressar.

As oportunidades para quem quer entrar no mundo das artes são iguais? O caminho para alcançar sonhos traz o mesmo grau de dificuldades para todos? O espetáculo Bailados Periféricos traz respostas para questões como essa. Nele, são apresentadas algumas das barreiras que bailarinos periféricos encontram enquanto tentam construir suas trajetórias na dança.

O espetáculo nasceu em 2025 e é uma criação do Projeto Expressar, que há 20 anos atua na Vila Cruzeiro, bairro de Santa Tereza, em Porto Alegre. O objetivo do grupo é fazer da dança uma ferramenta de transformação social, criando oportunidades profissionais para seus participantes. 

Em 2020, lançaram o documentário Bailados Periféricos, que acabou ganhando o prêmio Açorianos em Ação Periférica. A obra apresentava os desafios vividos pelos bailarinos que não moram nos centros da cidade. 

– No documentário apareceram fatos como não poder ir às aulas por conta de tiroteios, alagamentos, essas questões bem fortes de vulnerabilidade social – conta Vanessa Rodrigues, que assina a direção geral e é uma das coreógrafas da apresentação. 

Ano passado, ao completar duas décadas, o Expressar lançou sua própria companhia de dança, que estreou com o espetáculo que recebeu o mesmo nome do documentário. Ao longo do período de desenvolvimento desse trabalho, em 2025, conseguiram ainda formalizar o registro profissional dos bailarinos. 

Na próxima semana, Bailados Periféricos estará em cartaz na Sala Álvaro Moreyra (Avenida Erico Verissimo, 307). Será nos dias 10, às 20h; e 11 e 12, às 18h. Os ingressos estão à venda a partir de R$ 20 na plataforma Sympla. O elenco traz Alan Oliveira, Ana Lígia Felizardo, Isadora Dias, Raynner Victor Silva, Sthefany Voight, Larissa Soares e Luiza Karoline Rodrigues.   

Trajetórias no palco 

Com forte tom biográfico, o espetáculo leva para o palco o cotidiano desses artistas. Entre as cenas, por exemplo, aparece a história de Luiza, uma estudante de Direito. Ela participou do projeto, mas, por não conseguir visibilidade, acabou mudando de área. Durante o dia, se dedica à sua profissão, e à noite a dança aparece em sua vida a partir de seu posto como rainha de bateria.

Outra trajetória apresentada é a de Alan, estudante de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Por conta dos horários alternados da faculdade, ele não consegue trabalhar em empregos fixos. Então, faz entregas por aplicativos durante o dia e, à noite, se transforma na drag queen Lana Furacão. 

Já Larissa é uma bailarina clássica que passou por escolas renomadas da cidade. Nesses espaços, porém, não se sentia representada por ser a única menina negra. No espetáculo, ela dança e interpreta uma coreografia chamada A única.

Cena hip hop no foco

Estreia nesta sexta-feira (3) mais uma ação que tem como foco fortalecer a cena hip hop de Porto Alegre. A partir das 19h30min, o Cirandar (Rua Duque de Caxias, 1.297) recebe o evento de lançamento do projeto “Batalhas em Movimento: Finais Estaduais RS de Poesia Falada e Rima”. 

A organização explica que a proposta é reconhecer a produção cultural ligada ao movimento e valorizar artistas, coletivos e espaços por meio da realização das finais estaduais de poesia falada e rima. 

 Para o evento, além de serem apresentados os detalhes da ação, foram convidados dois artistas para um bate-papo. Pedro Valentim, de Belo Horizonte, é MC, artista visual, produtor e jornalista. Também participa Luiza Romão, poeta, atriz e pesquisadora de São Paulo, reconhecida por sua produção literária e atuação no movimento hip hop.

Cursos na Alvo Cultural

Agora, falando de formações, a Escola de Hip Hop da Alvo Cultural está com inscrições abertas para dois cursos. Um deles é o intensivo avançado de grafite que será ministrado pela artista e arte-educadora Luiza Kmara. Esse é para quem quer aprofundar seus conhecimentos. Terão temas como composição de cores, esboços e construção de identidade. As aulas serão na segunda e na terça-feira, das 19h às 22h. Inscrições pelo formulário virtual.

Outra formação é pensada para professores e arte-educadores que querem levar o hip hop para dentro das salas de aula. Essa ocorre no dia 11 de julho, das 9h às 12h. Inscrições online.

Edital para artistas

Artistas, fiquem ligados! As inscrições para o Projeto Artista na Escola 2026 seguem abertas até o dia 13 de julho. A ação seleciona atividades culturais para serem realizadas em escolas públicas que integram os territórios do RS Seguro COMunidade.

Podem ser propostas oficinas ou cursos em um dos seguintes segmentos: artes cênicas (teatro, circo ou dança), artes visuais, audiovisual, literatura (contação de histórias e/ou mediação de leitura, preferencialmente direcionadas às séries iniciais) ou música.

Um meio para artistas desenvolverem atividades culturais remuneradas em áreas de vulnerabilidade. Com investimento total de R$ 750 mil, o projeto vai repassar R$ 18.101,60 a cada proposta contemplada. As inscrições devem ser feitas pelo portal Pro Cultura.


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