Notícias



Papo Reto

Manoel Soares: "43 milhões de minutos"

Colunista escreve no Diário Gaúcho aos sábados 

11/07/2026 - 05h00min


Diário Gaúcho
Diário Gaúcho
Manoel Soares/Arquivo Pessoal
Hoje, ele reflete sobre a perenidade da existência

Quando saímos da barriga de nossa mãe, não temos nada, até os átomos de nosso corpo já estavam aqui na Terra. Quem vive 80 anos tem pouco menos de 43 milhões de minutos na Terra. Somente isso é nossa propriedade, o resto é empréstimo. 

Nosso corpo é feito das comidas que engolimos e evacuamos durante a vida. Nossas opiniões também não são nossas. Nada que temos é nosso. Acreditar que temos alguma coisa é ceder à ilusão de que mandamos em algo ou que somos de alguma forma importante. Esse jornal que você lê agora, amanhã é considerado velho. O homem mais rico de 100 anos atrás, hoje nem é lembrado e sua riqueza não ajudou em nada na hora de sua morte

Jornada 

Quando abandonarmos nossa jornada, até os átomos que recebemos vão ficar aqui. Carro, roupa, casa e conta bancária são distrações para que não vejamos a verdadeira mágica da vida que é estar presente, de fato, em cada minuto vivido

A única coisa que podemos dar às pessoas que são importantes para nós é nosso tempo e atenção. Fora isso, não podemos dar nada. Nada que está com a gente é nosso, nem nossos átomos. Tudo é passageiro, tudo é emprestado. 

Somos transportadores de roupas, carros, comida e dinheiro. Essas coisas passam pela nossa vida, mas não ficam. Quando entendemos que somos crianças que brincam de ser donos de estrelas, conseguimos contemplar a beleza do céu.


MAIS SOBRE

Últimas Notícias