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Mesma distância, o triplo do preço: veja como chuva e horário impactam valor das corridas por aplicativo em Porto Alegre 

Reportagem simulou corridas em diferentes horários e locais para verificar como tempo e demanda influenciam os preços

23/07/2026 - 10h33min


Caroline Souza
Caroline Souza
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Quem depende de carros de aplicativo para se deslocar em dias de chuva em Porto Alegre pode encontrar preços bem acima dos cobrados pelo mesmo trajeto em dias de tempo firme. A variação ocorre devido ao sistema de tarifa dinâmica, acionado quando a demanda por viagens supera a oferta de veículos. O valor extra busca atrair mais condutores e reduzir o tempo de espera dos passageiros.

Foi o que aconteceu com Andrei Nascimento, 31 anos, supervisor de rota que utiliza aplicativos com frequência para se deslocar entre Porto Alegre e a Região Metropolitana. Nesta terça-feira (21), ele precisava ir até Cachoeirinha, mas desistiu diante do preço da corrida.

— Normalmente esse trajeto custa cerca de R$ 22, mas hoje estava dando R$ 80. Achei muito caro — afirmou.

Em vez disso, antecipou outro compromisso na zona leste da Capital. Ainda assim, precisou pagar mais do que o habitual:

— Vou para a Bom Jesus, na Protásio Alves, uma corrida que normalmente custa R$ 20, saiu por R$ 45.

Para economizar, Andrei conta que costuma comparar os preços entre diferentes aplicativos e, quando possível, esperar alguns minutos antes de solicitar a corrida, na expectativa de que a tarifa diminua.

Renan Mattos/Agencia RBS
Andrei desistiu de uma corrida na tarde de terça-feira (21) porque preço estava muito acima do habitual.

Reportagem monitorou preços em diferentes horários

Para verificar como os valores se comportam durante um período chuvoso, a reportagem de Zero Hora simulou corridas ao longo desta terça-feira, sempre partindo da sede do jornal, na Avenida Érico Veríssimo, esquina com a Ipiranga, em direção a diferentes pontos da cidade.

Os maiores aumentos foram registrados no fim da tarde, quando a chuva estava mais intensa, somada ao horário de maior circulação de pessoas.

Para o Iguatemi, shopping localizado na zona norte da Capital, uma corrida que custava cerca de R$ 15 durante a chuva fraca pela manhã chegou a R$ 36,10 às 17h. Para o Barra Shopping Sul, na Zona Sul, o valor passou de R$ 13,23 para R$ 29,50 no mesmo período. Já para a rodoviária, uma das principais áreas de chegada e saída da cidade, na zona central, a variação também foi percebida: uma corrida saiu de R$ 8,80 no início da tarde para R$ 22,80 no fim do dia.

Como funciona a tarifa dinâmica

Segundo a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa as empresas do setor, as plataformas utilizam modelos que buscam equilibrar a procura por corridas e a disponibilidade de motoristas.

“O preço das viagens é influenciado por fatores como tempo e distância dos deslocamentos, categoria do veículo escolhido, nível de demanda por corridas no horário e local específico, entre outros”, diz a associação em nota.

Para usuários, a alteração aparece antes da confirmação da corrida, com avisos de alta demanda ou indicadores de que o preço está acima do habitual. Já para motoristas, a Uber utiliza cores no mapa do aplicativo para sinalizar regiões com maior procura.

Motoristas avaliam que ganhos poderiam ser maiores

Para quem dirige por aplicativo, dias de chuva costumam significar mais solicitações de viagens. Além disso, o trânsito fica mais complicado e exige atenção. Segundo os motoristas ouvidos pela reportagem, os horários de maior movimento costumam ser o início da manhã, o meio-dia e o fim da tarde, quando há maior circulação de trabalhadores e estudantes.

Motorista de aplicativo há cerca de dois anos, Alexandre Lovizetto, 55, afirma que a tarifa dinâmica contribui para aumentar os ganhos, mas avalia que o repasse poderia ser maior.

— A tarifa dinâmica ajuda bastante a gente, mas a gente percebe que não é repassada toda pra nós. Já quanto aos passageiros, muitos dizem que ela é alta mesmo — afirma.

Mesmo assim, ele diz que continua trabalhando normalmente durante os períodos de chuva:

— Se aparece uma corrida e o valor me agrada, eu faço. Não tenho problema em rodar na chuva, só tento manter o carro limpo.

Renan Mattos/Agencia RBS
Lovizetto confirma que chamados para corridas aumentam quando chove.

O motorista Joaquim Lima, 36, compartilha da mesma percepção. Segundo ele, o sistema de remuneração mudou nos últimos anos e reduziu o potencial de ganhos.

— Poderia ser melhor. Há alguns anos a gente conseguia ganhar mais com a dinâmica — explica.

Em 2021, a Uber alterou o modelo da tarifa dinâmica para os motoristas. O adicional, que antes era calculado por um multiplicador sobre o valor da corrida, passou a ser um valor fixo informado previamente no aplicativo. Segundo a empresa, a mudança trouxe mais previsibilidade aos ganhos.

Questionada sobre como funciona o repasse aos motoristas nos casos em que há tarifa dinâmica e sobre a avaliação dos condutores de que o valor recebido poderia ser maior, a Amobitec não respondeu. Segundo informações disponíveis nos sites oficiais das plataformas, o repasse segue o modelo de remuneração adotado por cada empresa. O valor recebido pelo condutor depende de fatores como o preço da viagem, a plataforma utilizada e os descontos aplicados pelo serviço de intermediação.


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