EntreVilas
Premiado no Vozes Periféricas, projeto de slam leva poesia para escolas de Porto Alegre e região
Nas sextas-feiras, o colunista Émerson Santos escreve sobre educação, cultura, inovação e toda a diversidade presente nas comunidades


Vou apresentar hoje o trabalho de uma dupla que tem usado a poesia falada como uma ferramenta de educação. Nathiely Silveira Calisto de Souza, que é conhecida como Poeta Desperta, e Daniel Guedes Couto, o Dkg Dekilograma, são os nomes à frente do Slam Entre Escolas.
O projeto deles é um dos vencedores do Prêmio Vozes Periféricas. Essa foi uma iniciativa do governo federal que reconheceu cem coletivos culturais que desenvolveram, ao longo de 2025, trabalhos ligados a batalhas de rima, slams e saraus em diferentes regiões do país. Entre a galera selecionada, quatro gaúchos foram escolhidos.
Sendo um prêmio nacional, há um peso significativo em ver o pessoal daqui na lista de vencedores. Além do reconhecimento, cada grupo ganhou R$ 30 mil para investir em seus projetos. Quem busca conhecer os trabalhos que eles desenvolvem percebe que é um destaque merecido.
Slam Entre Escolas, por exemplo, está desde 2023 nessa caminhada. Naquele ano, Poeta Desperta e Dkg criaram um piloto do que se tornaria seu projeto. Levaram oficinas de poesia para escolas e feiras do livro, com o foco em aproximar os estudantes da literatura, sempre a partir do slam.
A iniciativa deles foi se aprimorando até chegar em 2025, quando 54 colégios se inscreveram e, desses, 10 instituições, de Porto Alegre e Região Metropolitana, foram selecionadas. Em 2026, foram 16 as selecionadas.
Formando poetas
Quando o projeto é executado, são os professores que recebem primeiro uma formação sobre o movimento e o método pedagógico que é levado para as salas de aula. Nathiely explica que as escolas recebem ainda uma apresentação de slam para a comunidade e duas oficinas de escrita. Ao final, é realizada uma disputa entre os alunos para escolher um poeta representante da instituição.
Esse processo se repete em cada colégio e, após todas as escolas receberem o circuito, ocorre a grande final. Segundo Nathiely, a ideia é revelar novos escritores e poetas, ampliando o protagonismo do estudante na escola, e apresentar o slam como uma proposta cultural, educacional e atrativa para os alunos.
— Receber esse prêmio é a confirmação de que esse trabalho importa. É um reconhecimento que fortalece o slam como ferramenta de educação, cultura e transformação social — pontua.
Mérito
Vale destacar que um dos méritos dessa premiação foi o de valorizar uma galera que desde sempre teve como marca de suas ações a busca por impacto social. São projetos inseridos no universo do movimento hip hop que trabalham a música, a poesia e as rimas como ferramentas educativas que incentivam o desenvolvimento do pensamento crítico, da autonomia e até da profissionalização de suas comunidades. Fazem da cultura urbana um mobilizador de mudanças na sociedade, principalmente pensando nas crianças e adolescentes.
Além do Slam Entre Escolas, os outros grupos gaúchos premiados foram a Batalha do Resy, grupo de Viamão que já apareceu aqui na coluna; Batalha do Mercado, da Capital, uma das pioneiras entre as batalhas de rima no Estado; e o Slam São Hell, de São Leopoldo.
Museu destaca a potência da palavra
O evento Museu Literário chega em sua segunda edição de 2026. Organizada pelo Museu da Cultura Hip Hop RS, a ação tem como proposta celebrar a potência da palavra e da poesia falada. Desta vez, quem participa são Aduke Poeta e Eduardo Tamborero.
Marcado para sábado (18), às 18h, o encontro vai ocorrer na Biblioteca DiVilas, dentro do Museu (Rua Parque dos Nativos, 545 — Vila Ipiranga).
Se liga no currículo dos convidados. Aduke Poeta, nome artístico de Ana Salles, é escritora, poeta slammer, arte-educadora e produtora cultural, com atuação em Tramandaí, no litoral gaúcho.
Já Eduardo Tamborero, de Novo Hamburgo, é produtor cultural, músico, escritor e compositor. Também ministra palestras e oficinas sobre culturas afro e temas socioambientais. A participação é gratuita. Basta retirar ingresso online.
Inscrições para as oficinas de inverno
Por falar em Museu do Hip Hop, o local está com inscrições abertas para suas oficinas. A ideia é abordar as diferentes linguagens desse movimento.
Quem se interessar pode escolher as aulas de produção cultural, mixagem em vinil e Workshop de DJs, Breaking, grafite e slam. Tudo isso gratuito. O intensivo será entre os dias 11 e 28 de agosto, no Museu. Inscrições até 24 de julho, via formulário online.