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Rua dos Andradas

Remoção de ninho de caturritas causa comoção entre moradores do Centro Histórico

Residentes da região consideraram primeira intervenção agressiva; ninho precisa ser retirado para posterior remoção da árvore 

17/08/2026 - 10h41min


William Mansque
William Mansque
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A tentativa de intervenção em uma árvore onde há um ninho de caturritas, no pátio da Capitania Fluvial de Porto Alegre, na Rua dos Andradas, gerou comoção entre moradores do Centro Histórico na última sexta-feira (14). Residentes da região se assustaram com a presença de um caminhão com guincho e com a aproximação do equipamento das aves.

A operação visa a permitir a retirada da árvore, que ficou comprometida e inclinada em direção à via pública após um temporal. Segundo a Capitania, o equipamento foi utilizado para permitir o acesso da equipe ao ninho, mas não tinha alcance suficiente, e o serviço acabou interrompido. A Marinha sustenta que não houve tentativa de retirar o ninho e diz que a remoção só ocorrerá após a definição da "forma adequada de manejo das caturritas" (leia a nota na íntegra abaixo).

O ninho está a uma altura equivalente ao quarto andar dos prédios da região e mede pouco mais de 1m50cm. Entre os moradores, há consenso de que a árvore precisa de manutenção, já que está seca e inclinada — tanto que está contida por cordas. A discordância está na maneira como a operação foi conduzida.

Morador da Rua dos Andradas há quatro anos, o professor de cinema Marcos Kligman, 49 anos, relata que o caminhão de guincho usado para remover o ninho chegou de tarde por volta das 17h. 

— As caturritas têm ovos e filhotes ali, são dezenas. Quando o guindaste se aproximou, elas ficaram numa árvore ao lado gritando apavoradas — descreve Marcos. 

Moradores locais criticaram a equipe que realizava a operação, enquanto quem estava do outro lado justificava apenas que estava “fazendo seu trabalho”. Entre os que acompanharam a ocorrência estava a aposentada Geiza Eliana Damasceno Silveira. Ela tem 65 anos e mora na Rua dos Andradas há 30. Desde que se mudou para a atual residência, Geiza garante que já existia o ninho, que tem o apelido carinhoso de “condomínio das caturritas” entre os locais.

— Já caiu com temporais e vendavais, mas as caturritas constroem de novo. Aquilo ali, para mim, é uma relíquia do Centro Histórico. É um patrimônio nosso — atesta.

Leia a nota da Capitania Fluvial de Porto Alegre na íntegra

“A Capitania Fluvial de Porto Alegre informa que, após o último temporal ocorrido na cidade, uma árvore localizada no interior de sua área ficou comprometida e inclinada em direção à via pública. A situação apresenta risco de tombamento, podendo comprometer a segurança dos pedestres que circulam pelo local, bem como das caturritas presentes no ninho existente na árvore.

Diante da necessidade de retirada da árvore e, especialmente, da presença das caturritas, a Capitania optou por não realizar a intervenção antes que fosse definido o manejo adequado dos animais. Para isso, foram acionados o Corpo de Bombeiros Militar, a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (PATRAM) e o órgão ambiental do município, a fim de que a situação fosse conduzida com o acompanhamento dos profissionais competentes.

Na primeira avaliação, foi utilizado equipamento destinado a possibilitar o acesso seguro da equipe ao ninho. Contudo, verificou-se que o equipamento não possuía alcance suficiente para a realização segura do procedimento, razão pela qual a ação não teve continuidade. Em nenhum momento houve tentativa de retirada do ninho utilizando o gancho do equipamento.

Em razão da época do ano, é possível que não haja filhotes no ninho. De toda forma, a eventual presença de ovos ou filhotes será considerada durante o procedimento, assegurando o manejo adequado dos animais.

A Capitania permanece em articulação com os órgãos competentes, que avaliarão a estratégia técnica mais adequada para o manejo das caturritas e do ninho. Somente após essa etapa será realizada a retirada da árvore, buscando preservar a segurança das pessoas e dos animais.”


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