Caso Luciano
Em interrogatório, réu faz confissão sobre paradeiro do corpo de caminhoneiro desaparecido em Bom Jesus
Polícia Civil iniciou buscas após Felipe Silveira Noronha confessar o homicídio durante o júri popular e indicar, em depoimento, o local onde teria ocultado o corpo de Luciano Boeira Melos. Réu também contou que a vítima teria sido morta quando tentou abrir a porteira da propriedade, sendo atingido por disparos de rifle


A manhã desta quarta-feira (29) em Bom Jesus começa com buscas da Polícia Civil para tentar localizar, três anos após o desaparecimento, o corpo do caminhoneiro Luciano Boeira Melos. A mobilização da polícia acontece a partir de confissões apresentadas pelo réu Felipe Silveira Noronha durante o júri popular do caso.
Na noite de terça-feira (28), Felipe confessou ter sido o responsável pela morte do caminhoneiro. O depoimento dele foi o último do primeiro dia de julgamento, que analisa a participação dele e de outras três pessoas no desaparecimento de Luciano.
Conforme Felipe, o crime foi cometido após ele descobrir a traição da companheira, Fabiana Ramos Saraiva, com o caminhoneiro. Ele contou ter atraído a vítima para uma emboscada na propriedade onde vivia com Fabiana, utilizando as redes sociais dela.
Luciano teria sido morto quando tentou abrir a porteira da propriedade, sendo atingido por disparos de um rifle. Segundo o réu, cerca de três tiros foram efetuados. A arma utilizada estava em sua posse e foi apreendida durante a investigação.
No interrogatório, Felipe também afirmou que Fabiana e o pai dela, José Balduíno Saraiva, não participaram do crime. Já o irmão, Flávio Silveira Noronha, teria apenas ajudado a retirar a motocicleta de Luciano da propriedade e a lançá-la no Rio dos Turvos, onde ela foi localizada dias depois.
Felipe ainda negou ter recebido ajuda para ocultar o corpo. Segundo ele, colocou o cadáver sobre um cavalo e conduziu o animal por cerca de três quilômetros, atravessando propriedades vizinhas.
O réu afirmou que escondeu o corpo em uma fenda entre rochas, próxima a uma cachoeira. Para dificultar as buscas, disse que retirou as roupas de Luciano e cobriu o local com pedras. Durante o interrogatório, também indicou em um mapa o ponto onde o corpo estaria, informação que motivou as diligências realizadas nesta quarta-feira.
Ainda na terça, o Ministério Público expediu um mandado de busca apreensão na propriedade vizinha, onde o corpo estaria. Contudo, não há detalhes de onde ocorre a operação.
Pai de Fabiana optou por ficar em silêncio
O quarto réu no caso, José Balduíno Saraiva, que é pai de Fabiana, optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. Durante a fase de depoimentos, o delegado Gustavo Costa do Amaral, que conduziu o inquérito, apontou que José Balduíno ameaçou Luciano de morte.
Nos interrogatórios de Fabiana, Flávio e Felipe, o réu não foi relacionado ao desaparecimento de Luciano.
Trabalhos desta quarta-feira
Durante a quarta, será realizada a etapa de debates entre a defesa dos réus e a acusação. O processo deve levar todo o dia, com previsão da votação do tribunal do júri pela noite. Os réus respondem por respondem por ocultação de cadáver e fraude processual.
Relembre o caso
No dia 26 de julho de 2023, Luciano Boeira Melos teria arrumado a casa onde morava, na localidade de Hortêncio Dutra, ao lado da residência da mãe, Elisete Boeira. Com a faxina, o caminhoneiro parecia estar esperando alguém. Conforme a família, um comerciante revelou que, naquele dia, ele teria comprado um edredom e dois travesseiros e feito questão de que os itens fossem entregues naquela quarta.
No fim do dia, o caminhoneiro teria pedido para a mãe preparar o jantar e já havia guardado a moto na garagem. Enquanto Elisete dobrava roupas e aguardava o jantar ficar pronto, ouviu o filho sair de moto, sem dizer para onde ia. A mãe diz ter sentido um aperto no peito na mesma hora e começado a enviar mensagens e fazer ligações para o filho, pedindo que ele voltasse para casa.
Às 19h40min, o caminhoneiro enviou uma mensagem para a mãe dizendo que tinha ido à cidade. Para o irmão, Lucas Silva, Luciano revelou ter ido encontrar com a mulher, na localidade de Caraúno. Esses foram os últimos contatos feitos com a família. Desde então, ele nunca mais foi visto.
Segundo a investigação da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público, a morte do caminhoneiro teria sido previamente combinada em 25 de julho, um dia antes do desaparecimento. Após descobrirem o relacionamento extraconjugal de Fabiana com Luciano, Felipe e José Balduíno, respectivamente marido e pai da mulher, teriam combinado que ela seria perdoada desde que o caminhoneiro fosse morto.
No dia 26, Fabiana, que teria concordado com o plano, teria enviado uma mensagem para Luciano pelo Facebook marcando o encontro para resolver o futuro do relacionamento. No local, ela estaria acompanhada de Felipe, Flávio e José. Conforme a denúncia, Luciano teria sido morto por motivo torpe (a traição) e sem poder se defender.