Família presta homenagem a fã do Diário Gaúcho e o sepulta com um exemplar do jornal - Notícias - No Diário Gaúcho você encontra notícias do RS, informações de utilidade pública, muito entretenimento, além de conteúdos esportivos e jornalismo policial.

Versão mobile

17 anos do Diário Gaúcho20/04/2017 | 07h00Atualizada em 20/04/2017 | 13h43

Família presta homenagem a fã do Diário Gaúcho e o sepulta com um exemplar do jornal

Na quarta reportagem que celebra o aniversário do Diário Gaúcho, conheça a homenagem feita por uma família ao patriarca Oscar Chies

Família presta homenagem a fã do Diário Gaúcho e o sepulta com um exemplar do jornal Tadeu Vilani/Agencia RBS
Oscar Chies (na foto segurada pelas familiares) morreu em 3 de abril deste ano Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Num gesto que não surpreendeu os amigos de Oscar Domingos Chies, de Gravataí, familiares o sepultaram em 3 de abril com uma caneta azul no bolso da camisa e um exemplar do Diário Gaúcho, as duas maiores paixões do mecânico aposentado que morreu aos 79 anos, vítima de complicações pulmonares e cardíaca.

— Quem chegava próximo ao caixão dizia "vocês lembraram!". Todos sabiam que ele era um grande fã do Diário Gaúcho. Não começava o dia sem fazer as cruzadinhas. Tinha orgulho de dizer que havia aparecido no jornal duas vezes — recorda a neta Sheila Chies Cardoso, 38 anos.

Na primeira vez em que saiu nas páginas, Oscar opinou em uma reportagem sobre a saúde em Gravataí. Em outra ocasião, durante a Copa do Mundo, ele foi um dos 11 jogadores da Seleção Brasileira, pois tinha o nome de um dos atletas.

A filha Sara Chies, 53 anos, recorda que o pai sempre gostou de ler, mas depois que conheceu o DG fez dele um vício diário. Era comum vê-lo com o jornal embaixo do braço. Nas férias de verão, o dono do mercado chegava a guardar os exemplares com o nome de Oscar para quando ele retornasse a Gravataí.

Nos últimos meses, quando um problema pulmonar o fez diminuir a caminhada de uma quadra até o mercado, o vô passou a ir de carro ao local. Até enquanto esteve lúcido durante a última internação no hospital ele exigia que os familiares seguissem comprando o DG para ele.

— Meu pai deixou de ler só quando piorou mesmo, três dias antes de falecer — lembra a filha. 

Coleção

Enquanto olham as fotos do patriarca, a filha Sara, a sobrinha e nora, Adelaide da Rosa Chies, 61 anos, as netas Sheila e Suelem da Rosa Chies, 30 anos, e a bisneta Julia Chies Cardoso, 13 anos, recordam a faceirice do aposentado, que foi casado por 59 anos com Rosa Peres Chies, 84 anos, que vive numa casa de repouso. Outra marca das imagens do aposentado era a caneta azul ou vermelha sempre no bolso da camisa. Era com ela que Oscar fazia as cruzadas do jornal, garantem as parentes.

— Para o pai tudo estava sempre bom. Era uma pessoa que só queria o bem dos outros. Até por isso, decidimos seguir nossas vidas depois da partida dele. Fica uma saudade boa de tudo que fizemos juntos — garante Sara.

Um amigo chegou a sugerir à filha que ela continuasse algum gesto comum do pai para enfrentar o período do luto.

— O que ele mais fazia era ler o DG — resume.

Jornais tinham o nome de Oscar Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Conheça as outras histórias
Corações Solitários uniu casal de Nova Santa Rita
Ler o Diário Gaúcho se tornou hábito de família da Vila Safira
Conheça a história do jovem que cresceu graças à ajuda dos leitores do Diário Gaúcho 

Certa vez, a filha garante que Oscar sugeriu a uma das netas que cursasse farmácia na universidade porque era o profissional que mais pediam nos classificados do Diário Gaúcho. A jovem aceitou o desafio e hoje é farmacêutica.

— O jornal influenciou até nisso! — acredita Sara.

Colecionador dos kits ofertados pelo jornal, Oscar juntava os selos e era o primeiro a trocá-los em Gravataí. Os produtos se tornavam presentes, distribuídos entre os três filhos, seis netos e dois bisnetos. E para homenageá-lo, a neta Suelem passou a ler o jornal e promete manter a tradição do avô. Mesmo tendo perdido os selos seguintes à morte de Oscar, ela reuniu parte dos exemplares para finalizar a última cartela iniciada por ele, que ainda leva sua assinatura: a do kit Faqueiro.

— Estou tentando reunir os selos que faltaram porque tenho a certeza de que ele ficará muito feliz, onde quer que esteja. O vô pediu muito que a gente continuasse a coleção — revela a neta, emocionada.

Durante a entrevista, enquanto recortava alguns para colar, Sheila deixou cair um deles. Imediatamente, a filha, uma neta e a nora correram para juntá-lo.

— Caiu um selinho! — disse Sara.

— Junta! — falou Adelaide.

— Este aí é precioso — finalizou Suelem, antes de colocá-lo na cartela do vô Oscar. 

Oscar estava fazendo a coleção do Kit Faqueiro Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
Suelem vai seguir a coleção do avô Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS


 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros