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Seu problema é nosso08/03/2018 | 09h25Atualizada em 08/03/2018 | 09h26

Moradora de Canoas aguarda por cirurgia desde 2011

A moradora de Canoas possui hipertrofia mamária grave bilateral, um desenvolvimento excessivo do volume das mamas. Por isso, precisa fazer uma cirurgia de redução dos seios

Moradora de Canoas aguarda por cirurgia desde 2011 Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Amanda não pode usar sapatos fechados, devido também ao inchaço dos seus pés Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Há sete anos, a professora de educação infantil desempregada Amanda dos Santos Bento, 33 anos, espera por uma cirurgia que acabará com suas dores. 

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A moradora de Canoas possui hipertrofia mamária grave bilateral, um desenvolvimento excessivo do volume das mamas. Devido ao peso dos seios, Amanda, com seus 1,40m de altura, tem fortes dores nas costas, na lateral do copo e também nos pés, que ficam inchados quando faz esforços físicos. 

— Se eu caminhar três quadras, preciso ficar a tarde na cama — relata. 

Além dos sintomas físicos, o volume traz consequências psicológicas para Amanda, atingindo sua autoestima. Ela conta que não pode usar algumas roupas, como blusas e vestidos de alcinha ou decotado. 

— Coloco uma roupa, e o resultado sempre é o mesmo: ou não entra ou fica feio. Me sinto como um monstro, que as pessoas ficam olhando — lamenta Amanda. 

Ela também não consegue usar sutiã, pois os comuns, de poliéster, dão alergia, enquanto os de algodão têm um preço muito elevado, inviável para a família. Assim como tem dificuldade para roupas, o cenário se repete no uso de calçados. Amanda não pode usar sapatos fechados, devido ao inchaço. 

Caminho 

A busca dela pelo procedimento de redução de mamas começou no Posto Municipal de Saúde Guajuviras II, onde foi encaminhada para o Hospital Universitário da Ulbra (HU). Lá, foi informada de que a instituição não realiza a cirurgia de redução reparadora dos seios. Assim, voltou para o posto de saúde, onde deveria ter sido encaminhada para um hospital de Porto Alegre. Nestas idas e vindas, sete anos se passaram: 

— Nunca tive uma explicação do que poderia ser feito por mim. 

Apoio 

Devido às dores, Amanda deixou de exercer sua profissão e se tornou dependente da mãe. Quando sente dores nos pés, é ela quem faz compressas geladas e também faz massagens no corpo da professora. 

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— É uma vida que não desejo para ninguém. Com a cirurgia, tudo iria melhorar: minha postura, minha autoestima. Não ficaria todo esse tempo de repouso, a dor iria aliviar. A expectativa é de que melhore minhas condições de vida — finaliza.

 Consulta está marcada para amanhã 

A Secretaria de Saúde de Canoas explicou que os hospitais da cidade não fazem a cirurgia de redução mamária, sendo necessário o encaminhamento para a Capital. Porém, a assessoria de comunicação afirmou que, em 2012, Amanda teve a operação agendada duas vezes no HU, porém, em ambas as ocasiões, não compareceu. A mulher afirma que nunca foi informada sobre os agendamentos. 

Já o Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), responsável pelo HU, garantiu que o hospital não é referência para este tipo de procedimento e, por isso, Amanda deverá fazer avaliação em Porto Alegre. Em nota, o Gamp salientou que, em novembro de 2017, Amanda passou por consulta com um profissional do hospital, quando foi orientada sobre o assunto. 

Acompanhamento 

A prefeitura de Canoas aguarda pelo resultado do exame de segmento cervical para encaminhá-la ao hospital com a especialidade. Apesar disso, Amanda já possui o documento, fornecido pela própria prefeitura, com o encaminhamento para um hospital referência. 

A Secretaria Estadual de Saúde explicou que o Central de Regulação do Estado não localizou cadastro em nome desta paciente. Após o contato da reportagem, o HU agendou para amanhã consulta de Amanda com ortopedista. 

A Secretaria de Saúde de Canoas e o HU prometeram acompanhar de perto o caso da professora, para que ela tenha o diagnóstico preciso do seu problema. A prefeitura orientou- a a levar todos os documentos e exames na consulta. A partir do atendimento, será possível prever quando a cirurgia acontecerá. 

*Produção: Eduarda Endler

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