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Seu problema é nosso14/03/2018 | 09h01

Paciente aguarda há três anos por cirurgia, em Canoas

Devido a demora do procedimento, Cleusa já está só com 10% de percepção de sons no ouvido esquerdo e 50% de perda auditiva no ouvido direito

Paciente aguarda há três anos por cirurgia, em Canoas Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Laudo de exame aponta o problema de saúde Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

A espera trouxe consequências para o organismo da cozinheira Cleusa Fátima Borges Dutra, 47 anos, moradora de Canoas. Há mais de três anos, ela está na fila para realização de uma estapedectomia — procedimento cirúrgico para impedir o desenvolvimento da sua doença genética, chamada de otosclerose, que é a alteração do osso esponjoso.

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Com o passar do tempo, por causa da compressão dos nervos cranianos, desenvolve- se deficiência visual e também perda de audição, que é o caso de Cleusa. Enquanto não chega sua vez, o problema aumenta e afeta cada vez mais sua vida. 

Hoje, Cleusa tem somente 10% de percepção de sons no ouvido esquerdo e 50% de perda auditiva no ouvido direito. 

— É muito complicado. Se a pessoa falar muito baixo, eu não escuto. No telefone, por exemplo, sempre preciso atender com o viva-voz ligado — relata. 

Os desafios também atingem o cotidiano de Cleusa, que trabalha em uma padaria: 

— Eu não posso sair sozinha, sempre tem que ter uma pessoa me acompanhando, pois não escuto o que as pessoas falam. 

Sem previsão 

A primeira providência de Cleusa foi procurar um posto de saúde, que a encaminhou para o Hospital Universitário da Ulbra (HU). Lá, realizou vários exames que antecedem a cirurgia, como audiometria e tomografia. 

— A minha única solução é a cirurgia, que aguardo há muito tempo. E a situação só piora sem ela — explica.

Cleusa conta que nunca recebeu uma previsão de realização da cirurgia: 

— Eles só me dizem para continuar aguardando, pois não tem verba. 

Cleusa segue aguardando pelo procedimentoFoto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG

HU tentará marcar operação para março 

Devido à troca de administração do Hospital Universitário da Ulbra (HU) em dezembro de 2016, o Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), responsável pelo HU, afirma ter encontrado uma extensa fila de pacientes à espera de cirurgia. 

Em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde de Canoas, a reportagem foi informada pelo HU de que o caso de Cleusa é classificado como eletivo, que não é urgente. 

No entanto, precisa ser priorizado para que o problema não se agrave. O hospital salientou que está trabalhando para que a cirurgia seja realizada ainda neste mês. 

*Produção: Eduarda Endler 

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