Aposentado sofre com falta de sondas uretrais, em Sapucaia do Sul - Notícias

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Seu problema é nosso10/04/2018 | 09h24Atualizada em 10/04/2018 | 09h24

Aposentado sofre com falta de sondas uretrais, em Sapucaia do Sul

Quando a prefeitura não faz a entrega, a família do idoso compra os materiais em farmácias, o que prejudica o orçamento familiar

Aposentado sofre com falta de sondas uretrais, em Sapucaia do Sul Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Valdir mostra as luvas, um dos itens dos quais necessita Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Há mais de dois anos, o servidor público aposentado Valdir Quevedo Mello, 76 anos, morador de Sapucaia do Sul, passou por uma cirurgia na próstata. A partir daí, precisa usar sondas uretrais, luvas e xilocaína (pomada anestésica) para conseguir urinar — material que geralmente é fornecido pela prefeitura da cidade onde mora. 

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Porém, há um mês, os produtos estão em falta. Em março, sua esposa, a costureira e dona de casa Iolanda Moreira Melo, 73 anos, não conseguiu fazer a retirada dos materiais, pois não estavam disponíveis. 

Em abril, Iolanda entrou em contato com a secretaria e recebeu a mesma notícia: os produtos não estão em estoque no almoxarifado da Secretaria de Saúde. E não há previsão de chegada. 

— É muito complicado, a gente continua deixando de comprar algo para comer para poder comprar os materiais que a prefeitura deveria nos dar — lamenta Iolanda. 

Quando a prefeitura não faz a entrega, a família compra os materiais em farmácias, o que prejudica o orçamento familiar. O filho de Valdir e Iolanda tenta auxiliá-los para conseguir o valor, mas nem sempre é possível. 

— Minha filha e minha nora estão desempregadas, por isso, precisamos muito que a entrega seja regularizada — diz Valdir. 

Ele usa em torno de três caixas de sondas uretrais por mês. Cada uma delas tem o valor aproximado de R$ 60. Já a xilocaína custa cerca de R$ 20, e são necessárias quatro unidades. 

Para fazer o manuseio dos materiais, é preciso usar luvas cirúrgicas – sendo preciso três caixas por mês. Cada uma delas tem um custo de cerca de R$ 15. Ou seja, em um mês sem receber os produtos, Valdir gasta R$ 305 para adquiri-los. Quando não tem recursos para isso, ele busca a emergência de um hospital para realizar o procedimento. 

Segunda vez 

A história se repete. Em outubro de 2017, o Diário Gaúcho contou pela primeira vez o drama do aposentado, que passou quatro meses sem a entrega do material. Na época, após a publicação da reportagem, Valdir voltou a receber os produtos. 

Prefeitura diz que não há previsão 

Em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Sapucaia do Sul, a reportagem foi informada de que a empresa responsável pelo repasse dos itens de saúde foi interditada pela Receita Federal. Agora, a secretaria está realizando uma compra emergencial dos produtos com verba que chegou do Ministério da Saúde. 

Apesar disso, a comunicação social da prefeitura não soube informar uma data de chegada dos materiais. Até a finalização da reportagem, a prefeitura não se manifestou sobre o que os pacientes nesta situação devem fazer.

*Produção: Eduarda Endler

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