Em rua onde a água não chega, caminhão-pipa precisa abastecer moradores semanalmente, na Capital - Notícias

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Seu problema é nosso28/05/2018 | 09h06Atualizada em 28/05/2018 | 09h06

Em rua onde a água não chega, caminhão-pipa precisa abastecer moradores semanalmente, na Capital

Os moradores da Rua do Mato, na Vila Coronel Aparício Borges, bairro Partenon, em Porto Alegre, sofrem com a constante falta de água há cerca de um ano e cinco meses

Em rua onde a água não chega, caminhão-pipa precisa abastecer moradores semanalmente, na Capital Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Caminhão-pipa abastece via uma vez por semana Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Há quase um ano e cinco meses, moradores da Rua do Mato, na Vila Coronel Aparício Borges, bairro Partenon, na Capital, sofrem com a constante falta de água. 

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O único abastecimento que as residências da via recebem é por um caminhão-pipa, que vai ao lugar somente uma vez por semana, às quartas-feiras. O veículo faz duas viagens, às 8h30min e às 13h30min. No total, 80 mil litros de água são entregues para os moradores. 

Para evitar desperdícios, eles reaproveitam a água, como no caso da dona de casa Fernanda da Silva Januario, 27 anos. Vivendo naquela via desde que nasceu, ela conta como faz a economia: 

— A água que usamos para lavar roupa vai para o vaso, para darmos descarga. O banho não pode ser longo e não se deve lavar muito as roupas. 

Com o boleto de maio do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) em mãos, no valor de R$ 59,08, Fernanda protesta: 

— Como vou pagar por algo que não tenho? Da torneira, não sai nenhuma gota de água. Só vou voltar a pagar as contas quando o abastecimento de água for normalizado. 

Para beber água e cozinhar, Fernanda opta por comprar água mineral, com custo de R$ 12 a cada dois dias. Com 17 números de protocolo registrados no Atendimento ao Cidadão de Porto Alegre, a dona de casa sente-se decepcionada: 

— Eu já reclamei tanto, e sempre falam que tem água quando, na verdade, não tem. Eu sinto que não adianta mais falar. 

Morro 

Por ser uma das partes mais altas de um morro, onde há residências regulares e irregulares, o fornecimento de água na região é complexo. Moradora irregular do local, sem vínculo com o Dmae, a dona de casa Katiucia Santos, 38 anos, reside ali há 18 anos. Ela lembra que, até o início de 2011, a água era levada para as residências em baldes e garrafas. 

Além de carregar o peso dos recipientes cheios, ainda havia o desafio de subir a lomba, já que o caminhão-pipa não estacionava no alto da rua, muito íngreme. Diante da dificuldade, a comunidade se uniu e fez uma canalização em frente às casas, onde a mangueira do caminhão-pipa é ligada para abastecer as caixas d’água. 

— Mesmo recebendo a água em casa, a gente tem que fazer milagre para não acabar e ficar sem — explica Katiucia. 

Dmae promete melhorar serviço 

O Dmae garante que já realizou várias ações para melhorar o abastecimento no bairro, como "consertos de inúmeras fugas aparentes e não aparentes de água, substituição de bombas", entre outras. O departamento salientou que há ocupações irregulares na Rua do Mato, o que torna difícil a oferta contínua e regular de água, já que "as moradias com ligações informais potencializam a baixa pressão da água na região e dificultam o abastecimento". 

A assessoria ainda afirmou que a região é abastecida por caminhões-pipa com itinerário rotineiro, porém não soube informar quem paga por esta água. De acordo com o órgão, a colocação de um reservatório não é considerada, devido à altitude do local. 

O Dmae salientou que sua área técnica planeja ações neste ano para qualificar a oferta de água, mas destaca que as ocupações têm aumentado aceleradamente naquela região, o que impacta na demanda de abastecimento. 

*Produção: Eduarda Endler

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