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Seu problema é nosso24/05/2018 | 09h18Atualizada em 24/05/2018 | 14h57

Falta de professor deixa aluna autista sem aula em escola de Porto Alegre

Na véspera do início das aulas, a família da menina foi informada de que não havia professor disponível para turma de Larissa da Rosa Ribeiro

Falta de professor deixa aluna autista sem aula em escola de Porto Alegre Cris Bridi / Projeto Estrelinha/Projeto Estrelinha
Foto: Cris Bridi / Projeto Estrelinha / Projeto Estrelinha

Em sua primeira experiência da vida escolar, a pequena Larissa da Rosa Ribeiro, quatro anos, teve uma decepção. Na véspera do início das aulas no Jardim II da Escola Municipal Ensino Básico Doutor Liberato Salzano Vieira da Cunha, no bairro Sarandi, Zona Norte da Capital, em 14 de março, a família da menina foi informada de que não havia professor disponível para sua turma.

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Aos dois anos, a menina foi diagnosticada com transtorno do espectro autista, que pode desencadear dificuldade de comunicação e de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo. Para a mãe, a dona de casa Aline Ribeiro, 36 anos, a escola teria uma função importante para a filha: 

— Ela precisa conviver com outras crianças da idade dela, não temos outros pequenos na família. Seria importante para o desenvolvimento dela. A Larissa precisa socializar. 

Sem poder frequentar a escola, a pequena fica em casa, com a mãe. 

Tratamento 

Chateada, Aline conta que, até hoje, a vida de Larissa foi tomada por desafios. Para conseguir tratamento com fonoaudióloga e psicopedagoga, a mãe precisou entrar na Justiça. A menina recebe ajuda com estimulação precoce pela Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul (Faders). 

— É uma luta diária — desabafa a mãe. 

Em conjunto com consultas e remédios, a mãe foi instruída, pelos médicos, a matriculá- la em uma escola, pois seria positivo para Larissa. 

— A gente imaginava que seria difícil, tem toda a questão de adaptação para estar em uma escola com outras crianças. Mas a gente não fazia ideia de que ela nem conseguiria ir na aula — diz a mãe, frustrada. 

Em casa 

Além de mãe, Aline tem o papel de professora. É ela quem ensina Larissa, em casa, sobre letras, cores, números e palavras básicas em inglês, por exemplo. 

— Ela reconhece os números das linhas de ônibus e das casas. A Larissa é esperta. Se a gente incentivar mais, logo ela vai estar escrevendo — conta a mãe, orgulhosa.

Devido ao autismo, a menina é uma criança agitada. Domina celulares, computadores e tem preferência por brinquedos pequenos. Apesar de ter diversões, Aline não a leva em pracinhas, por causa do problema de socialização da pequena. 

— Por isso a escola seria tão essencial, para ajudá- la a saber brincar com outras crianças, porque ela é sozinha, não convive com outra criança para aprender a dividir — diz a mãe. 

Secretaria fará reunião 

A assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (Smed) informou que haverá, ainda nesta semana, uma reunião entre as diretorias Pedagógica e de Recursos Humanos com a direção da escola para tratar da situação. 

Como orientação para pais ou responsáveis que estejam vivenciando a mesma situação da Escola Municipal Ensino Básico Doutor Liberato Salzano Vieira da Cunha, o órgão afirmou que é preciso procurar a direção da escola ou a própria Smed.

*Produção: Eduarda Endler

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