Buracos dificultam locomoção de morador cadeirante, em Porto Alegre - Notícias

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Seu Problema é Nosso14/06/2019 | 09h15Atualizada em 14/06/2019 | 10h44

Buracos dificultam locomoção de morador cadeirante, em Porto Alegre

Há cerca de um ano, devido a uma obra de drenagem, uma parte do asfalto da Rua João Pedro Batista, na Vila Quinta do Portal, foi removida pelas equipes da prefeitura, formando um buraco bem no meio da via

Buracos dificultam locomoção de morador cadeirante, em Porto Alegre Mateus Bruxel/Agencia RBS
Adomir, que é cadeirante, precisa contar com vizinhos para passar pelos buracos Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Poder caminhar sobre o asfalto sempre foi o grande desejo dos moradores da Rua João Pedro Batista, na Vila Quinta do Portal, em Porto Alegre. Após diversos pedidos feitos via Orçamento Participativo, em agosto de 2017, o areião finalmente deu lugar à pavimentação na ladeira. Entretanto, há cerca de um ano, outro problema fez a vizinhança relembrar os tempos em que transitar por ali era um desafio. 

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Devido a uma obra de drenagem na Rua Jaime Lino dos Santos Filho, perto dali, uma faixa do tão desejado asfalto da Rua João Pedro Batista foi removida pelas equipes da prefeitura, formando um buraco bem no meio da via. Outras partes da pavimentação também se quebraram, em função dos alagamentos na região. Desde então, não houve reconstrução do pavimento. 

“Isolado” 

 — Moro aqui há 18 anos e sempre estive na luta para conseguir o asfalto. Aí, botam o asfalto, entra em obra, cortam e nunca mais colocam de novo? — questiona o morador Adonir da Silva, 56 anos, que é deficiente físico e utiliza cadeira de rodas para se locomover. 

Com o surgimento do problema, a vida de Adonir mudou. Por conta dos buracos, ele não consegue mais se deslocar sozinho e depende sempre de um acompanhante para passar pela rua: 

— Quando tinha asfalto, eu saia sozinho e fazia tudo. Agora, me sinto completamente isolado aqui, pois, para pegar um ônibus tenho que subir cerca de 80 metros e passar pelo buraco. Se não tem alguém para me conduzir, a cadeira vira e eu caio, como já aconteceu. Então, só posso sair com alguém junto. Várias vezes perdi consulta porque não tinha ninguém para me acompanhar. 

Além disso, ele conta que mais três moradores da região também são cadeirantes e sofrem com a buraqueira. 

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 12-06-2019: O cadeirante Adonir da Silva, 56 anos, e Tiago Bertotti, 28, na rua João Pedro Batista, em péssimas condições de conservação, na Vila Quinta do Portal, no bairro Lomba do Pinheiro. A falta de acessibilidade prejudica cadeirantes que moram na região. Adonir saía sozinho pela via asfaltada até que uma obra da prefeitura danificou parte do trecho, que não foi mais reparado. Agora ele precisa da ajuda de outra pessoa para transitar até mesmo perto de casa. (Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS)
Sem ajuda, Adonir não conseguiria cruzar a viaFoto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Providências 

O operador de perecíveis Tiago Bertotti, 28 anos, também morador, é quem costuma ajudar Adonir nas atividades diárias, como ir ao mercado e comprar remédios na farmácia. Cansado de presenciar a situação do amigo, Tiago entrou em contato com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Smim) por e-mail, em janeiro deste ano, cobrando providências. Na ocasião, foi informado por um engenheiro da pasta que “a recomposição do pavimento nesse trecho não foi considerada no orçamento da obra”. 

— Como que quebram e, depois, não têm orçamento para arrumar? Questionei (a prefeitura) e não obtive resposta — afirma o morador. 

Enquanto o problema não é resolvido, Adonir se sente desconfortável: 

— Quanto mais autonomia nós, cadeirantes, tivermos, melhor. Muitos lugares na cidade não têm uma calçada adequada para a gente ou não têm rampas, é tudo muito mal feito. Mas, mesmo assim, a minha independência é tudo para mim. E, agora, tenho que estar dependendo dos outros. 

Prefeitura não dá previsão para conserto 

A Smim explicou que, quando a obra de drenagem da Rua Jaime Lino dos Santos Filho foi projetada, a Rua João Pedro Batista ainda não era asfaltada. Assim, a recomposição do piso não foi previsto no orçamento. 

A Smim informou, ainda, que uma vistoria no local seria feita na sexta- feira passada, a fim de programar a manutenção. Entretanto, até o fechamento da reportagem, a Secretaria não soube confirmar se a vistoria foi realizada. 

Segundo a assessoria de imprensa, a pasta está buscando uma alternativa para resolver o problema. Não foi informado nenhum prazo para o conserto. 

Produção: Camila Bengo 

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