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Seu Problema é Nosso18/03/2020 | 12h45Atualizada em 18/03/2020 | 12h45

Morro Agudo: localidade da zona sul de Porto Alegre sofre com falta de abastecimento

Na última semana, com torneiras secas durante todo o dia, a água só chega às casas durante a madrugada, por um período de cerca de duas horas e sem pressão

Morro Agudo: localidade da zona sul de Porto Alegre sofre com falta de abastecimento Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Com pias cheias e só um fio de água na torneira... Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Quando, em agosto de 2019, o Diário mostrou o drama vivido pelos moradores da Rua I, travessa da Estrada Jorge Pereira Nunes, no Morro Agudo, zona sul de Porto Alegre, por conta da falta d’água, o medo da vizinhança era um só: “Imagina quando chegar o verão?”. Como já era esperado, a questão do desabastecimento – histórico na região – piorou durante os meses de calor. Na última semana, porém, a realidade da localidade do bairro Campo Novo tem beirado o caos: com torneiras secas durante todo o dia, a água só chega às casas durante a madrugada, por um período de cerca de  duas horas apenas, e sem pressão suficiente para que os moradores consigam utilizá-la. 

– Trabalho o dia todo e, quando chego em casa, nunca tem água. É o maior desgosto tu chegar e não ter água para limpar a casa, nem o banheiro que seja. Me sinto muito mal – relata a empregada doméstica Marlene da Silva Andrade, 55 anos, moradora do local há 15 anos.

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... não dá nem para encher as garrafasFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

De acordo com a vizinhança, mesmo nos raros momentos em que há água, ela não é suficiente para atender as necessidades do dia a dia nem para encher os reservatórios das residências. Segundo o motorista Antonio Marcos Oliveira Pinheiro, 57 anos, também morador da Rua I, o líquido que sai nas torneiras é “o fio do fio” – isso quando sai alguma coisa. 

Bombas

Para driblar o problema, alguns moradores instalam bombas nos relógios, a fim de aumentar a pressão da água e, assim, conseguir encher as caixas. Entre os proprietários de residências que possuem o equipamento, uma verdadeira força-tarefa foi montada para “fiscalizar a água”: durante a madrugada, algum vizinho encarrega-se de ficar esperando a hora em que as torneiras chiam e avisa os demais para acionarem as bombas. 

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– A gente tem que levantar de madrugada para ligar a bomba. O vizinho me liga pelas 4h da manhã para avisar que tem água. Corro para ligar, mas, quando dá 6h, já não tem mais água para puxar. E, às vezes, nem com a bomba a água sobe – relata Marlene, uma das moradoras que utiliza o equipamento.

Para quem não possui condições de comprar o aparelho, que custa em média R$ 400, a situação é ainda mais difícil. A auxiliar de enfermagem aposentada Maria de Fátima Delenogare, 

66 anos, se viu obrigada a mudar-se temporariamente para a casa do filho, em outro bairro, para fugir do desabastecimento.

– Vou para casa só para dar comida aos cachorros e já volto para lá. Me sinto desconfortável, porque gosto de estar na minha casinha, mas não tenho o que fazer. Alguns vizinhos ainda têm bomba, mas eu não tenho. Então, fico sem nada de água – desabafa a aposentada.

Problema antigo

Desde 2017, o Diário Gaúcho vem mostrando o problema enfrentado pelos moradores da região do Morro Agudo. Localizada na parte mais alta do bairro Campo Novo, na Zona Sul, a região tem um histórico de desabastecimento

Na mais recente reportagem, publicada em 29 de agosto do ano passado, quando os moradores estavam havia 15 dias sem água, o Dmae atribuiu o problema a consertos emergenciais, realizados naquele período, que acabaram por afetar a localidade. 

O Dmae reconheceu o problema da baixa pressão na região. Para resolver a questão, o órgão informou que estava realizando “obra de implantação de uma nova bomba na Estrada Cristiano Kraemer, que vai melhorar o abastecimento da parte alta da Estrada Jorge Pereira Nunes”. A previsão para conclusão era outubro do ano passado. 

Mas, contrariando as expectativas dos moradores, a medida não foi eficaz. Esperançosa, Maria de Fátima, 66 anos, deseja apenas um presente para o próximo aniversário, em outubro:

– Quero chegar aos 67 com água. 

“Cansei de ligar pro Dmae”

Buscando uma solução para o problema, a vizinhança afirma realizar contato diariamente com o canal de atendimento Fala Porto Alegre, telefone 156. Porém, os moradores relatam dificuldades para tratar com o Dmae. De acordo com Antônio, os atendentes limitam-se a informar que não há nenhum conserto na região e recusam-se a gerar um protocolo, alegando que não há registro de nenhuma outra reclamação.

A mesma situação foi vivenciada, também, por Marlene e Maria de Fátima. Desapontadas, questionam a importância que o departamento dá para o relato dos moradores, que parece não ser suficiente para que alguma atitude seja tomada.

– Mesmo tu ligando e dizendo que não tem água, falam que mais ninguém reclamou e que está normal, não querem fazer protocolo. Aí, orientam enviar e-mail, mas eu não sei fazer isso – conta Marlene, e Maria de Fátima completa:

– Já cansei de ligar para o Dmae, mas não adianta. Eles dizem que está sendo resolvido, mas continua sempre a mesma coisa. 

Dmae: consertos impactaram área

De acordo com o Dmae, a mais recente incidência de falta de água neste ponto do Morro Agudo tem ocorrido em função de serviços emergenciais ou programados que foram realizados nos bairros Aberta dos Morros, Vila Nova e Belém Novo. Segundo o órgão, quando há conserto em algum desses bairros, o abastecimento na região do entorno da Estrada Jorge Pereira Nunes pode ser impactado. 

Sobre a implantação de nova bomba na Estrada Cristiano Kraemer, citada pelo departamento na última reportagem e com previsão de entrega para outubro do ano passado, a assessoria informou que a obra ainda não foi concluída. Até o momento, foi feita a implantação das canalizações. O restante dos trabalhos foi iniciado este mês, e a previsão para instalação da bomba é até abril. 

Quanto à previsão para que o problema da falta de água na região seja resolvido em definitivo, o Dmae não se manifestou. Informado, ainda, da dificuldade enfrentada pelos moradores para abrir protocolos no 156 e questionado sobre os critérios para o registro das reclamações, o órgão não prestou esclarecimentos.

Produção: Camila Bengo

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