Sem aulas presenciais, estudar para o Enem virou desafio ainda maior para estudantes de escolas públicas - Notícias

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Educação13/05/2020 | 05h00Atualizada em 13/05/2020 | 05h00

Sem aulas presenciais, estudar para o Enem virou desafio ainda maior para estudantes de escolas públicas

Jovens usam a internet para a preparação, mas esbarram em dificuldades

Sem aulas presenciais, estudar para o Enem virou desafio ainda maior para estudantes de escolas públicas André Ávila/Agencia RBS
Ingo, 17 anos, acredita que a situação não é justa com todos os estudantes Foto: André Ávila / Agencia RBS

O ano de 2020 trouxe mais um desafio aos estudantes de escolas públicas que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Se, mesmo indo às aulas, já havia dificuldades devido à qualidade do ensino oferecido em muitas instituições, agora os alunos estão, praticamente, por conta própria. 

Com a pandemia do coronavírus, aulas presenciais foram interrompidas no país. Isto afetou aqueles jovens que estão no final do Ensino Médio e devem prestar o exame neste ano se quiserem conquistar uma vaga no Ensino Superior por meio de bolsa de estudos ou financiamento estudantil. 

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Mesmo sem uma previsão para que as aulas retornem ou que a vida comece a traçar novamente a linha da normalidade, o Ministério da Educação (MEC) até o momento, garante que o Enem deste ano será realizado. As provas estão marcadas para os dias 1º e 8 de novembro. As inscrições estão abertas, e vão até dia 22 de maio.

Na rede estadual de ensino, por exemplo, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) tem mandado atividades aos alunos, que contarão como aula e deverão ser entregues quando retornarem os encontros presenciais. Porém, famílias onde não há computador, ou até mesmo internet, em casa, enfrentam dificuldades para manter os estudos neste período de isolamento social.

Celular

Os smartphones viraram acessório essencial, ainda mais para os jovens. E na pandemia, quem ainda se esforça para conseguir estudar, mesmo sem ter todas as condições, encontrou no telefone uma ferramenta. Estudante da Escola Estadual de Ensino Médio Agrônomo Pedro Pereira, Julia Nauanda Cardoso Machado, 17 anos, está passando por dificuldades para conseguir acompanhar as atividades enviadas pelo colégio. Isso porque a menina, que vive na Lomba do Pinheiro, bairro da zona leste da Capital, não tem internet em casa. Seu único acesso à web é via celular, por meio do 3G. E não é sempre que há dados móveis disponíveis.

– Está bem complicado de acompanhar. Estou tentando, mas está bem difícil. Se eu fico sem internet, não tenho como fazer meus trabalhos da escola. E nem todos nós temos internet e um computador em casa – desabafa Julia.

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Concluindo o Ensino Médio em 2020, a jovem vai enfrentar o Enem pela primeira vez neste ano. Seu desejo era estar em condições melhores para se preparar. Se conseguir entregar as atividades escolares já está sendo difícil, tirar um tempo para focar em estudos para o Enem ficou impossível.

– Não está sendo nada justo. Seria muito melhor mudar a data da prova e dar condições de todos se preparem melhor – critica a jovem.

Em outro ponto da Zona Leste, no bairro Jardim Carvalho, o estudante Ingo Braga de Carlos Leon, 17 anos, enfrenta problemas parecidos na preparação para o exame que será realizado em novembro. Aluno do Colégio Estadual Inácio Montanha, ele está sem aulas presenciais desde o dia 17 de março. Mesmo tendo acesso à internet para acompanhar as atividades que são disponibilizadas pela instituição, Ingo explica que não se sente confiante para o Enem.

– Eu acho que não vou conseguir estudar o suficiente. Prefiro muito mais ter aula presencial, pois consigo aprender mais. No momento atual, seria melhor mudar a data do Enem. Tem muita gente que não vai conseguir estudar direito por causa da pandemia – acredita o estudante.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - 2020.05.12 - Como os alunos da periferia estão estudando para o Enem sem escola, cursinho, ead, internet e afins. Na foto: Ingo Braga, 17 anos (Foto: ANDRÉ ÁVILA/ Agência RBS)Indexador: Andre Avila
Estudante acredita que prova do Enem deveria ser modificadaFoto: André Ávila / Agencia RBS

Cursinho popular via WhatsApp

Para ajudar quem já terminou o Ensino Médio a se preparar para o Enem, iniciativas se espalham na forma de cursos pré-vestibulares gratuitos. O Resgate Popular, de Porto Alegre, é um destes. Porém, neste ano, o grupo nem conseguiu iniciar as atividades presenciais em razão da pandemia. Para não deixar os alunos que se inscreveram sem auxílio, o grupo de professores voluntários envia semanalmente atividades por meio do WhatsApp. O objetivo é estimular o interesse e a curiosidade dos estudantes, os aproximando das áreas de conhecimento. 

O grupo sabe que nem todos alunos possuem acesso à internet de banda larga, somente acessando a internet do celular. Por isso, as atividades enviadas foram adaptadas para terem o menor consumo possível de dados.

Jovana Emelim de Souza Chaves, 22 anos, vai tentar o Enem pela segunda vez neste ano. Ela estuda até quatro horas por dia. Mesmo focada, a jovem acredita que não participar de atividades como cursos ou grupos de estudo prejudicam o aprendizado.

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– Deveriam mudar a data da prova. Muitos alunos que não têm condições financeiras pra pagar professores particulares ou cursinhos online acabam sendo prejudicados ao não conseguirem ter igualdade na preparação para o exame – critica Jovana, que mora em Porto Alegre, mas está passando o período de isolamento com mãe, em Cidreira.

Aulas pela TV e em portal

Para tentar suprir a falta de aulas presenciais, a Seduc preparou um programa especial. A TVE, canal estatal, irá transmitir aulas com conteúdos focados na preparação para o Enem. O Pré-Enem Seduc RS começa no dia 18 de maio. Os programas serão de segunda a sexta-feira, das 19h às 23h, totalizando 20 aulas semanais e 464 horas de preparação para o exame. 

Os alunos ainda terão acesso às aulas pelo Portal da Educação (portal.educacao.rs.gov.br) e poderão conversar com os professores via chat. As aulas seguem até 31 de outubro, semana que antecede o início das provas. 

Os alunos que perderem algum conteúdo durante a semana poderão acessar o canal do YouTube diretamente no site da Seduc ou por meio do Portal da Educação. 

 
 
 
 
 
 
 
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