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Eu Sou do Samba11/06/2020 | 05h00Atualizada em 11/06/2020 | 05h00

Carnaval inspira mãe e filha a criarem grife na Capital

Início da parceria foi confeccionando fantasias para a escola Império da Zona Norte.

Carnaval inspira mãe e filha a criarem grife na Capital Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Sandra (E) e Simone uniram-se para criar sua própria marca Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Liliane Pereira
Liliane Pereira

Confeccionar fantasias e adereços para o Carnaval, e ter a habilidade de transformar um modelo desenhado no papel em arte que vai para a Avenida, fez Simone Moraes, 35 anos, deixar de atuar como fisioterapeuta para empreender e investir na própria marca de roupas.

E foi justamente a formação em Fisioterapia, com especialização em Pilates e Correção Postural, que ajudou Simone a entender e contestar a forma considerada padrão na maioria das confecções de roupas.

– Eu sempre fui inquieta para moda e adorava a ideia de criar coisas diferentes. Minha mãe sempre costurou por intuição, lembro de ela me contar que, aos 15 anos, costurou uma roupa à mão para poder ir a uma festa. Aquele relato me acompanhou por muito tempo. Sempre tivemos uma relação direta com o Carnaval por envolvimento familiar no Império da Zona Norte. Muitas vezes, abrimos nossa casa para ser ateliê de fantasias de alas, e fazíamos todo o trabalho artesanal de esplendores e cabeças. Chamávamos, carinhosamente, nosso espaço nos fundos do quintal de “barraquinho” – conta.

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A empresária relata que, em um dia de abril de 2017, após o cansaço de tentar encontrar uma vaga de emprego com remuneração justa na área da saúde, resolveu tentar costurar e criar roupas. Assim, uniria o ideal de ser empreendedora e trabalhar com a mãe, a economista aposentada Sandra Castilhos, 60 anos.

– Minha mãe é minha inspiração de vida. Comecei usando uma máquina de costura doméstica que ela tinha em casa. Então, fiz um curso básico de corte e costura e nós passamos a estudar por meio de vídeos explicativos e tutoriais da internet. Assim, nasceu a nossa marca, a Kondendê – explica a fisioterapeuta.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL,10/06/2020-  Fisioterapeuta e carnavalesca Simone começou a costurar fantasias para o Império da Zona Norte e resolveu empreender criando uma marca própria. Hoje, largou a fisioterapia e vive da Kondendê. Na foto: Simone, costureira. Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Simone mostra as peças, cheias de cor e estiloFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

O nome Kondendê  foi fruto da criatividade de Simone:

– Inventei esse nome através da expressão “com dendê”. O óleo de dendê é uma especiaria do norte africano que tem por característica o sabor forte. Além disso, adorei a ideia de dar um toque de ancestralidade à nossa história. Nossas roupas têm tempero e nossa costura tem personalidade.

Muitas das roupas produzidas são feitas com tecidos reciclados e sobras nobres desprezadas pela indústria. Além da fabricação sob medida e personalizada, elas também reeditam retalhos em criações novas. As peças adulto e infantil, com opção de modelos mãe, pai e filho, custam a partir de R$ 80.

– Começamos com uma linha de bolsas, golas e coletes. Depois, passamos a confeccionar quimonos, agasalhos, camisetas e alguns produtos exclusivos e personalizados. Nosso maior orgulho é contribuir para uma pequena diferença no mundo. Em tempos de pandemia, também fizemos máscaras para doação. Nosso caminho está sendo trilhado de uma maneira serena, bonita e gratificante – conta Simone.

Três anos depois, mãe e filha conseguiram realizar o sonho que começou com as fantasias de Carnaval. Hoje, vendem as peças pelo perfil do Instagram @kondendebr, e vivem do trabalho que é fruto do que poderíamos chamar de empreendedorismo carnavalesco.

 
 
 
 
 
 
 
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