650 mil atendimentos deixaram de ser feitos pelo SUS na Capital em função da pandemia, estima prefeitura  - Notícias

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De março a outubro16/10/2020 | 05h00Atualizada em 16/10/2020 | 12h02

650 mil atendimentos deixaram de ser feitos pelo SUS na Capital em função da pandemia, estima prefeitura 

Distanciamento social e fechamento de ambulatórios de especialidades nos hospitais adiaram consultas médicas e tratamentos 

650 mil atendimentos deixaram de ser feitos pelo SUS na Capital em função da pandemia, estima prefeitura  Isadora Neumann/Agencia RBS
No Conceição, 52 mil consultas e reconsultas deixaram de ocorrer Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

Entre março e outubro desde ano, Porto Alegre deixou de oferecer 650 mil atendimentos em especialidades por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O dado é uma estimativa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e leva em conta as chamadas primeiras consultas, quando o paciente é encaminhado da rede básica para ser atendido por algum especialista. 

O efeito causador deste número é óbvio, o coronavírus. Nos primeiros meses de pandemia, com elevado nível de medo de sair de casa e as medidas de isolamento social em pleno vigor, além da necessidade de focar o atendimento nos pacientes com a covid-19, a prefeitura reduziu a oferta de atendimentos nos hospitais e centros de especialidades, deixando somente os casos com extrema necessidade seguirem com seus tratamentos, como é o caso da oncologia. 

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Nas últimas semanas, diante da redução – ainda lenta – dos efeitos da pandemia, iniciou-se a retomada gradual de diversas atividades. E o setor de saúde não fica de fora desta conta. Alguns hospitais da rede pública já têm preparado ações para retomar os atendimentos e recuperar consultas que foram canceladas durante os meses em que a pandemia fechou os ambulatórios. 

Duas das principais instituições da cidade, por exemplo, já disponibilizaram meios para que pacientes possam reaver consultas que foram desmarcadas (leia mais abaixo).  No Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), foram mais de 52 mil atendimentos, entre consultas e reconsultas, que deixaram de acontecer. Conforme Alexandre Bessil, gerente das interunidades de emergência do Grupo Hospital Conceição (GHC), a maioria dos casos – cerca de 50 mil – poderá ser remarcado por meio do site do GHC. Em relação aos demais atendimentos, que seriam primeiras consultas, o hospital fará contato telefônico direto com pacientes.

– Fizemos um cronograma de reabertura parcial do ambulatório. Como não pode ter aglomeração, diminuímos a oferta. Estamos marcando uma consulta a cada 20 minutos, permitindo entrada apenas da pessoa sozinha, cinco minutos antes do horário. Acreditamos que vamos recuperar essas consultas que ficaram para trás ao longo dos próximos seis meses – projeta Alexandre.

No Clínicas, telemedicina amenizou tamanho da fila

Dentro dos 650 mil atendimentos estimados pela SMS, além da parte do Conceição, outra fatia também está no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), onde foram cerca de 67 mil atendimentos represados durante o período de março a outubro. Mas o número poderia ser ainda maior, como alerta Roberto Umpierre, chefe do Serviço de Medicina Ambulatorial do Clínicas. 

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Isso porque muitas consultas foram realizadas por meio de teleatendimento neste período, seja por vídeo ou ligação. Conforme Ricardo, foram cerca 32 mil consultas com uso da telemedicina, impedindo que a bola de neve ficasse ainda mais imensa. E o modelo de atendimento virtual não deve parar. 

Entre os 67 mil atendimentos a serem recuperados, o hospital planeja que 30% seja feito por meio da telemedicina. Para quem tem atendimentos que ficaram para trás, a remarcação será via internet. Além do site do hospital, um aplicativo deve ser lançado nas próximas semanas, permitindo a remarcação pelo smartphone.

–  A partir do dia 20 de outubro, os pacientes vão poder solicitar consultas perdidas pelo Meu Clínicas, uma área do nosso site. Será enviado um SMS ou e-mail com um localizador pra entrar no portal e solicitar essa remarcação. Se o paciente não receber esse contato, mas souber que tem atendimento para realizar, ele pode ligar para o HCPA e solicitar o seu agendamento – explica o chefe do Serviço de Medicina Ambulatorial.

A expectativa do Clínicas é de que as demandas represadas sejam recuperadas durante os próximos cinco meses. E junto com os atendimentos que ficaram para trás, novos chamados também seguem ocorrendo, para que não haja sobrecarga na fila de espera.

Reequilíbrio até o ano que vem   

Além dos dois grandes hospitais da Capital, os atendimentos represados durante a pandemia estão espalhados por outras instituições, como o complexo da Santa Casa, o São Lucas da PUC e o Hospital Vila Nova. Além disso, há os centros de especialidades, como o da Vila dos Comerciários e do IAPI. Conforme a SMS, algumas especialidades que tinham filas reduzidas em mais de 70%, como oftalmologia, ou até zeradas, como a dermatologia, tiveram aumento da fila de espera. Agora, o município acredita que já há um “arrefecimento dos casos e a desmobilização de estruturas dedicadas exclusivamente para a covid-19, tornando possível ampliar a oferta de consultas e reequilibrar a demanda”. 

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O objetivo da prefeitura é que até o fim do ano, todos os hospitais e centros de especialidade estejam atendendo 100% da sua demanda, como antes da pandemia. Assim, o equilíbrio na fila deve ser reconquistado ao longo do próximo ano. Além disso, o município também quer reforçar o uso da telemedicina em seus atendimentos.

Pacientes estão confusos com as remarcações

A costureira aposentada Jane Marques Minotti, 63 anos, está sem os acompanhamentos com os quais estava habituada desde o início do ano. Paciente de hospitais como o Conceição e o Hospital Materno Presidente Vargas (HMPV), ela é atendida nas especialidades de psiquiatria e endocrinologia, respectivamente, nos locais. Nesta semana, depois de tanto tempo de espera, a moradora do bairro Sarandi até fez contato com a prefeitura para pedir esclarecimentos sobre o atendimento com o endocrinologista, que estava marcado para dia 24 de março. Como houve troca de médicos, a orientação foi para que Jane fosse novamente ao posto de saúde pedir um encaminhamento, voltando para o final da fila.

 PORTO ALEGRE,RS,BRASIL.2020,10,15.Jane Marques Minotti,que atendida em varias especialidades,ficou desasistida desde o inicio da pandemia.(RONALDO BERNARDI/AGENCIA RBS).
Jane quer retomar rotina médicaFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Em relação ao atendimento no Conceição, ela tinha consulta marcada para o dia 16 de abril. E diz ainda não ter sido informada sobre como remarcar os atendimentos, tendo que “recorrer a auxiliares no hospital para conseguir renovar suas receitas periodicamente”.

– Isso sem contar exames que eu tinha e outro atendimento em homeopatia no Conceição. Estou sem consultar desde o início do ano, ainda não sei como vou conseguir recuperar esses atendimentos – pontua Jane.

Como remarcar

/// Para quem teve consultas adiadas no Clínicas, é preciso se cadastrar no portal Meu Clínicas (meuclinicas.hcpa.edu.br). 

/// A partir do dia 20 de outubro, os pacientes vão começar a receber localizadores por SMS ou e-mail para fazer a remarcação no portal.

/// Quem tem consulta atrasada e não recebeu os contatos, pode buscar ajuda pelo telefone (51) 3359-8260.

/// No Conceição, o acesso é pelo site ghc.com.br/marcacaodeconsultas.

/// O acesso, no Conceição, deve ser realizado até 30 de novembro.

/// Na rede municipal de saúde, em muitos casos será feito contato com o paciente para remarcação da consulta. Para mais esclarecimentos, ligue para 156.  



 
 
 
 
 
 
 
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