Pacientes de Viamão ficam quatro meses sem receber fitas para medição de glicemia - Notícias

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Seu Problema é Nosso05/03/2021 | 12h19Atualizada em 05/03/2021 | 16h33

Pacientes de Viamão ficam quatro meses sem receber fitas para medição de glicemia

Após o contato da reportagem na terça-feira, prefeitura fez reposição em postos de saúde

Há mais de 30 anos, a dona de casa Benardete Jacob da Cruz, 65 anos, moradora do bairro Santa Isabel, em Viamão, tem em sua rotina os cuidados para controlar a diabetes. Ela costuma receber da Unidade Básica de Saúde (UBS) São Lucas, localizada na Parada 44 da cidade, as fitas que usa para medir seu nível de glicose. Porém, nos últimos quatro meses os testes estavam em falta no posto. 

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Sem o material no posto de saúde, desde novembro Benardete precisa comprar as caixas, que vêm com 50 fitas. Ela paga a partir de R$ 80 por cada estojo. Ao longo do mês, utiliza no mínimo cem testes.  

Aposentadoria

– Eu estou bem e, de repente, ela (a diabetes) tá alta de novo. E eu não posso fazer insulina sem medir a glicose primeiro. Isso me preocupa – explica. 

Seu marido, o porteiro aposentado João Baptista da Cruz, 69 anos, conta que, todos os dias, eles ligavam para a UBS em busca de respostas de quando chegariam os testes, mas normalmente não eram atendidos. Quando conseguiam o atendimento, eram informados de que não havia uma previsão para a entrega das fitas.  

Há cinco anos, Benardete precisou parar de trabalhar por um problema de saúde. Com isso, João comenta que tem usado o que recebe de sua aposentadoria para a compra dos testes que a esposa necessita para o tratamento. Porém, nem sempre é possível adquirir a quantidade exata que ela precisa. 

– Eu pedi dinheiro emprestado para este mês. Tive que comprar uma caixinha, porque não pude comprar as duas – comenta João.  

"Não comprei, dou prioridade à insulina"

O vendedor Maurício Raugust, 39 anos, também é morador do bairro Santa Isabel e depende da UBS São Lucas para ter as fitas de medição de glicemia. Ele conta que não é a primeira vez que o posto fica sem o material. Porém, esse foi o período de maior espera pelo reabastecimento. Por ser um produto caro, ele passou os quatro últimos meses sem os testes. 

– Eu não comprei, fiquei esses quatro meses sem. Eu dou prioridade para a compra da insulina. 

A equipe do Diário Gaúcho contatou a prefeitura de Viamão na manhã da última terça-feira, na busca de uma resposta quanto à demora para a reposição dos testes. Algumas horas após esse contato, Maurício informou à reportagem que foi ao posto da 44, e as fitas haviam sido repostas. Os funcionários da UBS não souberam informar para o vendedor até quando duraria o estoque:  

– Pelo menos eu saí com as fitas, mas já não me garantiram que a gente vai seguir recebendo as fitas direitinho. São cem, mas eu preciso de muito mais. Cada caixinha vem com 50 unidades, mas meu laudo médico diz que eu preciso de 180 fitas (por mês). 

Prefeitura garante reposição

A prefeitura confirmou que, desde novembro, o estoque para distribuição das fitas de medição de glicemia havia se esgotado. Porém, segundo a administração municipal, nenhuma das UBSs ficaram sem o material para atendimento interno. O que não ocorreu neste período foi a dispensação domiciliar das fitas. 

A nova gestão, que assumiu em janeiro, comenta que os estoques já foram normalizados, sendo o local de referência para retirada das fitas a farmácia central, localizada na UBS da Parada 44.

Produção: Emerson Santos

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