Aglomeração nos ônibus e demora entre viagens: as reclamações de usuários do transporte público de Porto Alegre - Notícias

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Blitz 13/07/2021 | 20h26Atualizada em 13/07/2021 | 20h26

Aglomeração nos ônibus e demora entre viagens: as reclamações de usuários do transporte público de Porto Alegre

Reportagem percorreu seis pontos de embarque nas zonas norte e leste da Capital

Em seis pontos visitados por GZH na manhã desta terça-feira (13), a principal reclamação dos usuários de transporte público de Porto Alegre diz respeito à aglomeração de pessoas dentro dos ônibus. Apesar de estarem de máscara, os passageiros acabam se aglomerando  e ficando muito próximos no interior dos veículos, o que aumenta a chance de contágio por coronavírus.

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Nesta terça, a reportagem percorreu os principais pontos de embarque nas zonas norte e leste da cidade. Foram verificados os terminais Triângulo e Cairú e o trecho do Viaduto José Carlos Utzig, no Norte, e paradas de ônibus na Terceira Perimetral no cruzamento com as avenidas Bento Gonçalves, Ipiranga e Protásio Alves (no viaduto Jorge Alberto Mendes Ribeiro, perto da Carlos Gomes), no Leste.

Ao final do texto, confira o que diz a Empresa Pública de Transporte e Circulação de Porto Alegre (EPTC) e a Carris, que operas as linhas transversais T11, T2 e T4.

Terminal Triângulo: pequenos atrasos e ônibus lotados

O terminal Triângulo, localizado na Zona Norte, é um dos mais movimentados da Capital. Na manhã desta terça, a reportagem permaneceu cerca de 40 minutos acompanhando o fluxo de passageiros e de ônibus. As principais linhas apontadas pela EPTC na região são T4, T6 e 631 (Parque dos Maias). Além disso, a linha T1 atrai longas filas, mas organizadas, no local.

Com 64 anos, Ortelina Pereira Gonçalves mora em Cachoeirinha e trabalha como doméstica no bairro Jardim Itu, em Porto Alegre. Diariamente, ela utiliza a linha T6. Como não precisa bater ponto, já que tem horários flexíveis, ela prefere aguardar dois ou três coletivos para tentar ingressar em um ônibus em uma situação mais confortável.

— É falta de ônibus mesmo. O T6 sai ali do Leopoldinha e sempre chega aqui lotado. Deveriam colocar algumas linhas a mais aqui — diz Ortelina.

Moradora de Alvorada, Eliane do Carmo, 58 anos, é professora de Educação Infantil. Ela utiliza um ônibus metropolitano para chegar ao terminal Triângulo e a linha T4 para se deslocar até o bairro Cristal. Os ônibus lotados são a sua grande preocupação.

— Aglomeração parece que só pode no ônibus. Isso é complicado. Eu pego no terminal e fico na janela. Tem gente que fica em pé, junto do outro, ou nem consegue entrar — descreve.

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Terminal José Eduardo Utzig: unificação de linhas incomoda usuários

Em outro ponto de conexão de ônibus do Terminal José Eduardo Utzig, próximo da Avenida Benjamin Constant, na zona norte da cidade, os usuários do transporte público queixaram-se muito de linhas unificadas. Com a pandemia e a diminuição drástica de passageiros em 2020, a EPTC e as autoridades da Capital optaram por juntar algumas linhas a fim de otimizar o atendimento aos usuários.

Em 2021, a retomada das atividades econômicas e o novo aumento na demanda por coletivos fez com que usuários percebessem melhor os reflexos dessa unificação. A moradora de Alvorada Glacira Vargas, 50 anos, faz o trajeto até o tabelionato onde trabalha, no bairro Floresta, em Porto Alegre, há duas décadas. Conforme ela, as linhas unificadas diminuíram a oferta de coletivos, e o tempo entre as viagens aumentou.

— Não gostei. Antes, de 10 em 10 minutos eu pegava o ônibus. Sempre tinha uma opção. Agora, é um que outro ônibus e eles demoram até meia hora para passar — reclama.

Outros usuários no terminal também tinham queixas de linhas que passam pelo eixo da Benjamin Constant e Cristóvão Colombo. Hevelly Ribera, 21 anos, trabalha como autônoma em um salão de beleza. Ela reclama dos atrasos da linha 610.

— Pego dois ônibus no trajeto. Eu sei os horários, mas vem atrasado. Pelo fato de demorar, ele vem até mais lotado. Como é um dos únicos que passa pela Benjamin, tem muita gente — diz.

Terminal Cairú: pouco movimento

A reportagem esteve no terminal Cairú por volta das 8h15min e havia pouco movimento de passageiros.

Terceira perimetral: ônibus cheios

A reportagem observou três pontos ao longo da Terceira Perimetral, nos cruzamentos da via com as avenidas Bento Gonçalves, Ipiranga e Protásio Alves (no viaduto próximo a Carlos Gomes). Entre 6h e 8h30min, o movimento era moderado, sem aglomeração nas paradas. No entanto, alguns dos coletivos que chegavam aos pontos estavam lotados, e recolhiam mais passageiros nas paradas.

A principal reclamação dos usuários nos locais foi o excesso de passageiros dentro dos coletivos. Os usuários obedeciam, contudo, a regra de utilizar máscaras.

— É distanciamento zero. O pessoal vai amontoado. Desde abril, quando voltei a trabalhar de forma presencial, só teve um motorista que respeitou a regra do limite de passageiros. Quando encheu, ele fechou as portas do ônibus e não abriu mais. Mas acredito que muitos motoristas têm receio de fazer isso e receber reclamação de passageiros — relata a professora Juliana paz, 32 anos.

Outra reclamação se refere à linha T12 — Restinga/Cairú, que chega a levar cerca de 30 a 40 minutos entre os ônibus, conforme os usuários. Moradora da Restinga, a técnica em Enfermagem Elisiane Martins, 48 anos, relata que chegou ao terminal junto a Protásio Alves por volta das 7h35min. O coletivo que a leva ao bairro onde mora chegou às 8h02min.

— Acho que podiam ampliar as linhas, porque demora muito e, se a gente perde um ônibus, acaba se atrasando muito — conta Elisiane.

Ainda no terminal junto a Protásio Alves, apenas parte das escadas rolantes e dos elevadores estava operando.

Entre os ônibus com maior circulação na Terceira Perimetral, conforme a EPTC, o T11 e o T2 também  foram observados pela reportagem. As duas linhas abasteciam constantemente as paradas e não circulavam com número excessivo de passageiros.

O que diz a EPTC

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) afirmou, em nota, que a ampliação de oferta de ônibus é "feita após o diagnóstico de aumento na demanda de passageiros".

"O ajuste deve ser pontual, em horários e linhas específicas, que apresentaram esse aumento de ocupação. O trabalho é constante deste o início da pandemia, tendo, semanalmente, alguma alteração na oferta. Mesmo com mais usuários o sistema transportou, na última semana, 50% do que era transportado antes da pandemia", afirma a instituição.

A EPTC também ressalta que a população pode consultar as tabelas horárias das viagens disponíveis no site da entidade, que é sempre atualizada em razão dos ajustes.

Ainda segunda a nota, conforme decreto municipal, a capacidade permitida nos ônibus de Porto Alegre foi aumentada para 75% com o limite de 20 passageiros em pé nos coletivos comuns, além dos usuários sentados, e de até 35 nos articulados. A EPTC afirma que "é responsabilidade da tripulação do ônibus não permitir o embarque após o limite de passageiros, assim como a obrigatoriedade uso de máscaras".

O que diz a Carris

Diretor-técnico da Carris, Carlos Pires afirmou à reportagem que a empresa irá reforçar o número de carros para realizar viagens no horário de pico na zona norte da Capital. Conforme a companhia, entre 6h30min e 7h30min, ao menos três novos horários serão acrescidos aos já existentes para evitar ônibus cheios. 

Outras linhas da Carris que utilizam o terminal Triângulo também deverão ser analisadas, com possibilidade de incremento de viagens nos horários de pico.

 
 
 
 
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