Em Viamão, família se empenha para conseguir transporte social para menina de três anos - Notícias

Versão mobile

 
 

Seu Problema é Nosso16/09/2021 | 12h18Atualizada em 16/09/2021 | 12h18

Em Viamão, família se empenha para conseguir transporte social para menina de três anos

Lavínia Vitória teve meningite aos três meses e hoje precisa fazer fisioterapia para ter mais qualidade de vida

Em Viamão, família se empenha para conseguir transporte social para menina de três anos Reprodução / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Fernando precisa faltar o serviço para fazer o transporte da pequena Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

O pintor predial Fernando Silva dos Santos, 44 anos, morador da Vila Augusta, em Viamão, conta que, desde o ano passado, tem enfrentado dificuldades em conseguir transporte social fornecido pela prefeitura para a filha de três anos. Lavínia Vitória precisa utilizar o serviço no mínimo três vezes por semana, em suas idas à Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), em Porto Alegre

A criança teve meningite aos três meses e ficou com sequelas cerebrais. Hoje não fala, tem problemas de visão, usa sonda e cadeira de rodas. Este ano, Fernando já foi duas vezes à prefeitura para registrar que precisa do serviço. Uma das idas gerou o protocolo 024916/2021. Sem transporte social, ele leva e busca a menina nas consultas, de cerca de 30 minutos:

– É bem complicado porque preciso faltar no serviço para levar e buscar a Lavínia. Eu não trabalho de carteira assinada, então, fica bem difícil.

Fernando explica que a alternativa oferecida recentemente foi de que um carro pegasse a criança às 6h e voltasse com ela para casa às 15h. Mas, como as consultas costumam durar menos de uma hora, o pintor predial não aceitou. 

LEIA MAIS:
No mês de conscientização sobre esclerose múltipla, paciente interrompe tratamento por falta de medicação
Há dois anos sem telhas, escola da Capital precisa cancelar aulas em dias de chuva
Buracos tomam avenida principal em Quintão

Angústia

O pai explica que a falta de assistência tem influenciado na sua saúde mental e nas relações familiares. Desde que a família começou a enfrentar as dificuldades em relação ao transporte, Fernando tem notado que sua produtividade no serviço diminuiu. Além disso, as discussões em casa aumentaram, assim como a irritabilidade:

– Me sinto impotente. Por qualquer motivo me vejo brigando. É uma situação complicada.

Além disso, outra preocupação da família é de que a criança deixe de ser atendida na AACD por não conseguir comparecer em todas as consultas.

Tratamento na AACD é essencial

A fisioterapeuta Ane Caroline Dotta Asquidamini é uma das profissionais que atende Lavínia. Ela explica que o acompanhamento da AACD-RS é essencial para facilitar as rotinas da paciente e da família.

– Lavínia tem um comprometimento motor grave, então, aqui, ela consegue ter fisioterapia e terapia ocupacional. Atuamos na melhora do posicionamento dela. 

A profissional explica que, desde o início do tratamento, algumas mudanças ocorreram. Como uma adaptação na cadeira de rodas que a criança utiliza, pra que ela consiga se deslocar melhor. Além disso, os profissionais fornecem orientações para a família sobre as atividades diárias com a menina. Entre os benefícios do tratamento, Ane destaca que tem sido possível trabalhar com alongamentos e posicionamento.

– Exploramos as potencialidades dela, considerando o comprometimento motor que tem. Aos poucos, Lavínia pode ficar mais funcional, e isso contribuirá para que ela interaja mais.

LEIA MAIS:
Postos de saúde de Porto Alegre estão há dois meses sem estoques de fraldas geriátricas
Há três meses, pacientes aguardam o repasse da imunoglobulina humana  
Há quatro meses, aposentada aguarda por cirurgia no quadril

Prefeitura: não há opção individual 

A Secretaria de Saúde de Viamão afirma que o acesso ao serviço de transporte social para Lavínia já foi deferido. No entanto, alega que não se trata de transporte individual, mas, sim, coletivo, “com rotas que abrangem diversos atendimentos fora de Viamão”. Assim, justifica a prefeitura, os horários são definidos para “atender o maior número de pessoas possível”.

Segundo a Secretaria, oito veículos atuam no serviço. Destes, seis estão em atividade, um em fase final de manutenção e um sem previsão de retorno.

Produção: Kênia Fialho

 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
Imprimir
clicRBS
Nova busca - outros