Manoel Soares: "No nosso tempo, era bem diferente"  - Notícias

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PAPO RETO11/09/2021 | 05h00Atualizada em 11/09/2021 | 05h00

Manoel Soares: "No nosso tempo, era bem diferente" 

Colunista escreve para o Diário Gaúcho aos sábados

Manoel Soares: "No nosso tempo, era bem diferente"  Bruno Alencastro / Agencia RBS/Agencia RBS
Manoel Soares é do tempo da fita cassete, lembra? Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS / Agencia RBS

Tem horas que esqueço que tenho 41 anos e que tem uma galera que nunca viveu o que eu vivi. Quem tem 25 anos hoje não viveu a fome da nossa geração, por exemplo. Não viveu a inflação de pela manhã ter um preço nos alimentos e à noite ter outro. Não imaginam um mundo em que o real não era a moeda. 

Eu vivi um mundo em que não existia internet e me lembro de quando ela surgiu. Eu vi nascer o celular, eu tive beep, usei ficha nos orelhões, rebobinava fita cassete com uma caneta para economizar bateria do walkman. Eu votei em cédulas, passei chapa quente no cabelo e por aí vai. 

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À parte dos amigos leitores que se identificaram, é importante lembrar que tem uma galera que não imagina do que estou falando. Nunca tiveram que abrir um livro de enciclopédia, não fazem ideia de como a literatura de Machado de Assis muda a visão que temos do mundo, não sentem as mesmas necessidades que nós e não têm os mesmos medos. Isso não faz deles menos inteligentes ou mais suscetíveis a erros, só os faz ver a vida por outro ponto de vista.

Ao mesmo tempo que essas experiências nos fazem mais cabreiros e com olhares mais aguçados, temos mais traumas e agimos menos. Essa molecada tem o desejo de viver com intensidade, pois não apanhou muito da vida. A sacada é unir o gás deles com nossa experiência e criar uma máquina que pode fazer de 0 a 100 em um minuto, mas que também tem freio e espelhos retrovisores eficientes. O desejo de um futuro próspero aliado com as lições de um passado vívido é que cria o equilíbrio que precisamos. Façamos dos nossos jovens velhos e façamos de nossa velhice jovem como eles.

 
 
 
 
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