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"Mãos de Mães"13/12/2021 | 22h15Atualizada em 17/01/2022 | 09h44

Projeto oferece oficinas a mães desempregadas em Porto Alegre

No sábado, das 11h às 16h30min, a casa fará uma feira para venda dos produtos confeccionados

Projeto oferece oficinas a mães desempregadas em Porto Alegre Lauro Alves / Agencia RBS/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS / Agencia RBS

Conseguir emprego em um momento de crise econômica não é nada fácil, mas pode se tornar ainda mais complicado quando a candidata informa que é mãe. Pensando nisso, um projeto de Porto Alegre passou a oferecer, em 2021, oficinas para desempregadas que tenham filhos, com o objetivo de ensiná-las a fazer produtos simples e baratos que possam gerar renda.

Em sua quarta edição, nesta semana, o "Mãos de Mães" foi uma ideia do Cuidado Que Mancha. O grupo de teatro, música e literatura teve as atividades suspensas por conta da pandemia e, por conta disso, a coordenadora, Raquel Grabauska, decidiu dar outra finalidade à sede localizada no bairro Azenha.

— O "Mãos de Mães" surgiu da necessidade de a gente levar um pouco de dignidade para todas. A gente está com nossa casa, vendo nossos filhos bem cuidados, e notou que existe essa parcela grande da população que não tem isso e que não consegue emprego porque tem filho — explica a atriz e produtora cultural.

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Nesta edição do projeto, as 13 participantes receberão oficinas com dicas de como fazer pães, bolachas de Natal e uma caixa-surpresa de brinquedos artesanais — esses feitos com material reciclável. As oficinas acontecem das 8h30min às 13h, até quarta-feira. No sábado (18), a casa fará uma feira para a venda dos produtos, das 11h às 16h30min, e toda a renda será revertida para as mulheres.

O modelo segue o mesmo formato do que foi feito nas outras três edições que, até agora, já reuniram 16 mulheres. A diferença é que, desta vez, todas as participantes já estiveram em uma das ações anteriores. Entre os produtos já desenvolvidos estão incenso, sabonetes artesanais e geleia.

Deise da Silva Garcia, 34 anos, moradora da Restinga Nova, chegou na manhã desta segunda-feira (13) acompanhada da mãe, Nara Lúcia da Silva Garcia, 55, que vive no bairro Glória. Mãe de cinco filhos de até 11 anos, Deise recebe um salário mínimo por aposentadoria por acidente de trabalho, mas diz que o valor não é suficiente para bancar a família. Assim, viu no curso uma possibilidade de conseguir renda extra:

— Já aprendi a fazer vela, itens de decoração, cuca, pão, geleia e incenso. Depois do curso, comecei a fazer pão caseiro para vender, e isso está me dando uma renda. Já deu uma boa melhorada — conta.

Desempregada e com problemas de saúde, a mãe depende de duas filhas para se manter. O fato de receber alimentação durante os dias de oficina garante um tempo sem precisar comprar comida:

— A gente recebe alimentação e cesta básica aqui, então ajuda muito. Aprendi bastante coisa, mas ainda não consegui fazer para vender porque não tenho dinheiro para comprar os materiais — diz.

Participando pela segunda vez, Joyce Eliege da Silva Vasques, 39 anos, moradora do bairro São José, precisa da renda da venda dos produtos para conseguir comprar itens para os quatro filhos. Como um dos pequenos tem dois anos, ela não consegue sair para a rua e vender — e, por isso, o dia de vendas feito pelo espaço lhe dá garantia de renda:

— Os serviços que a gente acha não aceitam criança. Aqui dá para trabalhar e depois ter renda — explica.

Acolhimento 

Todas as mulheres recebidas na casa do grupo Cuidado Que Mancha recebem dinheiro para a passagem e alimentação nos dias de oficina — quando GZH esteve no local, na manhã desta segunda-feira, as primeiras que chegavam iam recebendo o café da manhã. Os filhos são recebidos por voluntários enquanto elas participam das aulas. As crianças brincam e ouvem histórias, entre outras atividades. Além disso, todas as famílias recebem uma cesta básica. 

No total, são 16 voluntários fixos, sendo que nove reforçam essa edição. O espaço mantém um brechó durante todo o ano e fornece roupas para famílias que precisam. Durante os dias de oficinas do "Mãos de Mães", há rodas de conversa sobre diferentes assuntos e a visita de uma dentista, que atende as crianças por um valor simbólico.

Bárbara Borges, 33 anos, é musicista e ministra oficinas de pães e de brinquedos com material reciclado. Ela afirma que, para além do aprendizado, as mulheres conseguem encontrar a união do grupo.

— Tem sido bem importante. A gente se emociona e dá para ver que elas ficam bem tocadas. 

Entre os temas presentes nas discussões entre as mulheres está a violência doméstica. Para a coordenadora do projeto, o Mãos de Mães busca estimular a independência das mulheres e estimula-las a se libertar de situações de violência.

— Infelizmente é uma realidade que a gente enfrenta o tempo todo. Mas as pessoas vêm pra oficina, e a gente vê a força de serem ouvidas — afirma Raquel.

 
 
 
 
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