Municípios que baixaram o valor da passagem de ônibus percebem aumento no número de usuários pagantes - Notícias

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Região Metropolitana25/03/2022 | 05h00Atualizada em 25/03/2022 | 05h00

Municípios que baixaram o valor da passagem de ônibus percebem aumento no número de usuários pagantes

Viamão, Gravataí, Esteio e Cachoeirinha oferecem tarifas mais baratas nas linhas municipais graças a subsídios do Executivo

Municípios que baixaram o valor da passagem de ônibus percebem aumento no número de usuários pagantes Félix Zucco / Agencia RBS/Agencia RBS
Ônibus municipal em Viamão está mais barato desde agosto de 2021 Foto: Félix Zucco / Agencia RBS / Agencia RBS

O que Esteio, Gravataí e Viamão têm em comum? Com a destinação de recursos para o transporte público, estas três cidades conseguiram baixar o preço da passagem em suas linhas municipais ao longo de 2021 e no início deste ano. E, por consequência, viram aumentar o número de passageiros nos ônibus. 

Começou por Esteio, em julho – e depois, novamente em outubro –, seguida por Viamão, em setembro, e Gravataí, mais recentemente, em janeiro deste ano. Uma quarta cidade da Região Metropolitana também entrou neste time: Cachoeirinha. No último dia 4 de março, a Câmara de Vereadores do município aprovou o repasse mensal de valores à empresa que opera na cidade. Na semana seguinte, a prefeitura decretou uma redução de R$ 0,65 na tarifa, que deixou a passagem custando R$ 3,75. O repasse cobre a diferença entre a tarifa técnica (aquela definida por meio de cálculo dos custos) e a tarifa do usuário (aquela determinada pela prefeitura). Em Cachoeirinha, estima-se que o valor fique em menos de R$ 500 mil mensais.

No caso de Esteio, primeira cidade da Região Metropolitana que reduziu a tarifa no ano passado, o aumento de usuários foi perceptível. A primeira redução veio em julho, quando a passagem foi de R$ 4,20 para R$ 3,95. Mas, logo depois, em outubro, uma nova redução foi decretada, com a tarifa ficando em R$ 3,80. 

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Dados enviados pela administração do município mostram que, entre setembro e dezembro passados, o número de usuários pagantes cresceu 13,82% – de 141.137 em setembro, para 160.646 em dezembro. Considerando todos os usuários – pagantes, isentos e escolares –, o crescimento no mesmo período foi de 17%. Eram 170.307 em setembro e 199.268 em dezembro. Parte dos números tem ligação com a volta da circulação de pessoas e retorno de aulas. Ainda assim, o crescimento entre os usuários pagantes aponta para uma tendência na mobilidade urbana: quando o usuário compara preços, se o ônibus compensar por ser mais barato, mesmo que a viagem demore mais, o passageiro tende a escolher essa opção.

Depois de Esteio, foi Viamão outra cidade a reduzir o preço da passagem de ônibus. Na cidade, a maior em área territorial da Região Metropolitana, duas bacias operam. Uma em linhas urbanas e outra em linhas rurais. Os dois trechos tiveram queda de valor no tíquete, que foi em torno de R$ 0,30. Desde as alterações, a passagem varia de R$ 3,65 a R$ 4,50 nas linhas urbanas, e de R$ 3,80 a R$ 10,50 nas rurais. As mudanças entraram em vigor no município setembro do ano passado. Entre setembro e dezembro, o aumento no número de passageiros pagantes foi de 32,37%. Foram 159.762 no mês em que a passagem baixou e 211.486 no último mês do ano passado. Em janeiro, o número caiu para 182.737 em razão do período de férias, mas fevereiro já teve um salto para 197.047, semelhante ao registro no último bimestre de 2021.

Conjunto de ações em Gravataí

Em Gravataí, a redução entrou em vigor no início de 2022. Por lá, a tarifa foi de R$ 4,80 para R$ 3,75 – valor mais baixo dos últimos cinco anos. E o reflexo nos usuários também começa a ser percebido, apesar da recente mudança. Entre junho e outubro do ano passado, com menos pessoas circulando, a média de usuários pagantes mensais ficou em 177,7 mil. Novembro (214.724 pagantes transportados) e dezembro (216.024 passageiros pagantes no mês) tiveram melhora nos números. 

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Em janeiro, como de costume em razão do período de férias, o número de pagantes caiu para 169.237. A melhora veio em fevereiro, com mais pessoas circulando e o retorno de diversas atividades, além da redução na passagem, que entrava em seu segundo mês. Foram 219.957 usuários pagantes transportados – aumento de 1,81% em relação a dezembro, que tinha o maior índice desde o início de 2021.

– E se olharmos para o pré-pandemia, entre janeiro para fevereiro sempre havia queda de usuários. Em 2020, foram cerca de 8% menos passageiros transportados entre janeiro e fevereiro. Agora, tivemos um crescimento de 12% entre os mesmos meses – pontua o secretário de Mobilidade Urbana, Guilherme Ósio. 

O titular da pasta de Mobilidade pontua que a redução da passagem foi o primeiro passo do programa Pró-Coletivo, lançado pela prefeitura no final de 2021. Com a baixa da passagem, a administração espera atrair mais usuários e assim incrementar o número de linhas, viagens e ônibus. Em fevereiro, houve aumento de 20% no número de linhas. 

– A ideia é trazer um ciclo virtuoso. Passagem mais barata, mais usuários, mais viagens. Até que se chegue num cenário onde a passagem pode ser ainda menor. Também projetamos melhora em ferramentas para o usuários acompanhar os ônibus, melhores abrigos, entre outras medidas – projeta Guilherme. 

A retomada econômica e de atividades escolares é um sinal positivo e essencial para o sucesso do programa, conforme o secretário. A avaliação dele é de que a pandemia se encaminha para o fim e o número de usuários deve ficar próximo do período antes do coronavírus nos próximos meses.

Na Capital, "tarifa descolada" 

Porto Alegre é outra cidade que pratica o chamado “descolamento de tarifa”. É o que ocorre quando o preço definido pela prefeitura é diferente do calculado pelas empresas ou, no caso da Capital, pela EPTC, com base em dados enviados pelas empresas. 

A diferença é que, em Porto Alegre, não houve redução no preço da tarifa, ela só subiu menos do que poderia ter subido no ano passado. O mesmo cenário deve se desenhar neste ano, onde os empresários pediram uma passagem no valor de R$ 6,60, mas a prefeitura deseja que o custo ao passageiro fique abaixo dos R$ 6. Atualmente, a tarifa da Capital está em R$ 4,80.

 
 
 
 
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