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Seu Problema é Nosso09/06/2022 | 10h29Atualizada em 09/06/2022 | 10h29

Terreiro da zona leste de Porto Alegre pede apoio para construção de nova sede

Localizado na Vila João Pessoa, o Ilé Àse Òrìsá Wúre teve de desmanchar, em 2020, o espaço onde ocorriam os trabalhos religiosos

Terreiro da zona leste de Porto Alegre pede apoio para construção de nova sede Reprodução / Terreiro Ilé Àse Òrìsá Wúre/Terreiro Ilé Àse Òrìsá Wúre
Residência sofreu com problemas estruturais e intempéries Foto: Reprodução / Terreiro Ilé Àse Òrìsá Wúre / Terreiro Ilé Àse Òrìsá Wúre

Para seguir, com dignidade, cultuando a ancestralidade e preservando a tradição de matriz africana na zona leste de Porto Alegre, o terreiro Ilé Àse Òrìsá Wúre luta por um novo espaço. Refundado em 2008, o templo religioso é liderado por Bàbá Hendrix de Orunmilá e Iyá Patrícia de Oyá e está localizado na Vila João Pessoa, onde realiza diversas ações sociais.

A casa, após uma década e meia sendo usada para os trabalhos religiosos e também como moradia para a família de Hendrix e Patrícia, teve de ser desmanchada por conta de problemas estruturais. De acordo com eles, quando adquiriram o terreno, em 2005, a residência de madeira já existia ali havia 10 anos, mas não tinha banheiro interno nem forro.

– Fizemos algumas alterações, dando mais 15 anos de vida para a casa. Mas uma infestação de cupins, associada às intempéries pelas quais passou, abalaram as estruturas do imóvel, fazendo com que se curvasse para o lado – conta Hendrix.

Assim, os quatro filhos do casal tiveram de se mudar para a casa da avó paterna, enquanto Patrícia e Hendrix foram morar em uma peça pequena nos fundos do pátio do terreiro.

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Assim era a casa quando ainda haviam atividades religiosas no localFoto: Reprodução / Terreiro Ilé Àse Òrìsá Wúre

Pandemia

Quando isso aconteceu, o terreiro não estava realizando suas sessões por conta da pandemia. No entanto, em 2021, os trabalhos voltaram. Desde então, o Ilé Àse Òrìsá Wúre atua no mesmo espaço onde Hendrix e Patrícia residem. Segundo Hendrix, por o local ser pequeno, sempre que ocorrem as sessões, eles precisam tirar seus móveis para ter espaço suficiente para realizarem os trabalhos.

Agora, com pouquíssimos recursos financeiros, Patrícia e Hendrix, juntamente com os frequentadores da casa, buscam a ajuda da comunidade para reconstruir o local original, visando garantir que o espaço de culto volte à normalidade e que os projetos sociais do terreiro sejam reativados.

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Terreno está à espera de construçãoFoto: Reprodução / Terreiro Ilé Àse Òrìsá Wúre

Tradição e história em linhagem da família

O casal que lidera o terreiro descende de uma linhagem de sacerdotisas da tradição de matriz africana. Ìyá Patrícia de Oyá é mulher negra, filha de Itacira de Xapanã e neta de Mãe Vilma de Yemanjá. Já Bàbá Hendrix de Orunmilá é filho de Tânia de Oyá e neto de Mãe Marute de Oxum.

Tanto Mãe Vilma quanto Mãe Marute foram importantes sacerdotisas em Viamão e na Vila João Pessoa, respectivamente. Marute liderou o Ilé Àse Òrìsá Wúre até ano 2000, quando se aposentou.

Portanto, coube a Hendrix e sua esposa refundarem, em 2008, o terreiro no local atual: Rua Júpiter, 178. Desde então, são realizadas ações sociais e educativas para o povo de terreiro e moradores do entorno, no que concerne aos saberes tradicionais de terreiro, para o acolhimento de pessoas com transtornos mentais, emocionais, afetivos, de saúde ou sem perspectivas de sustento, oferecendo caminhos espirituais para a superação destes. 

Para Rafael, filho da casa há três anos, o local é um espaço de vivências. Ele considera que o terreiro é muito importante, não só para os filhos da casa mas para toda a comunidade que queira buscar um auxílio por lá, mesmo que seja de outra religião.

– É uma família que você assume, por isso nos chamamos de “pai, mãe, irmão e filho”– comenta Rafael.

Quando questionado sobre a reconstrução da estrutura original do terreiro, ele disse:

– Ter um local adequado é de extrema importância, pois, quando temos um espaço sagrado, mas também social e voluntário, estamos abrindo portas para novas convivências.

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Para ajudar

/// Você pode fazer uma transferência por pix para a chave oxalaoia@yahoo.com.br ou doar qualquer valor entrando no link bit.ly/reconstruçãoterreiro, em que a meta é arrecadar R$ 15 mil.

/// Segundo Hendrix, “esta é uma meta de início. Entendemos que este valor não é suficiente para a reconstrução de nossa casa, mas já é um pontapé inicial”.

/// O terreiro também aceita doações de materiais de construção e apoio de voluntários para a execução do projeto de reconstrução.

/// Para obter mais informações, entre em contato com o número (51) 98551-2390.

Produção: Leonardo Bender


 
 
 
 
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