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Seu Problema é Nosso02/06/2022 | 05h00Atualizada em 02/06/2022 | 05h00

Grupo Marias, em Porto Alegre, trabalha empoderando mulheres

Localizado na Restinga, o projeto atende 28 mulheres em situações de vulnerabilidade social

Grupo Marias, em Porto Alegre, trabalha empoderando mulheres Grupo Marias / Divulgação/Divulgação
Grupo tem forte relação com comunidade escolar da Restinga Foto: Grupo Marias / Divulgação / Divulgação

Fortalecer quem já é forte e aliviar o peso do mundo sobre as costas de mulheres que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Esse é o trabalho realizado pelo Grupo Marias, que atua no bairro Restinga, extremo sul de Porto Alegre. Criado na pandemia, o projeto oferece oficinas de alfabetização e artesanato, além de diversas palestras, visando a inclusão social e o empoderamento feminino.

Quem coordena o grupo é a psicopedagoga Rosana Kasper. De acordo com ela, atualmente, os trabalhos são realizados, de forma provisória, em um local cedido pelo Centro Infanto Juvenil Monteiro Lobato. Por lá, são atendidas 28 mulheres, sendo duas cadeirantes. Neste ano, o projeto passou a oferecer atividades para crianças e adolescentes – filhos e netos das mulheres atendidas. 

– Existe um planejamento para crianças e adolescentes, sempre priorizando a importância do respeito à mulher. Temos contação de histórias, com livros feministas, reflexões, atividades artísticas, além de desenhos, colagens, massa de modelar, tintas e atividades físicas – diz Rosana.

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Trajetória

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Elas se reúnem todos os sábadosFoto: Grupo Marias / Divulgação

A ideia de criação deste projeto surgiu, justamente, com Rosana. Em seu trabalho, em uma escola de Viamão, a psicopedagoga percebeu que os problemas e dificuldades que as crianças tinham no seu desenvolvimento escolar estavam diretamente ligados às estruturas familiares de cada um.

Por ter uma relação próxima com a comunidade escolar como um todo, Rosana sempre manteve contato e ajudava, principalmente, as mães de alunos, quando possível. No decorrer da pandemia, os pedidos de ajuda aumentaram. Dentre os motivos mais comuns, estavam a falta de comida, o pouco auxílio, a falta de um teto, depressão e violência doméstica. 

A partir daí, em fevereiro de 2021, Rosana decidiu botar em prática seu plano:

– Naquele momento, o que eu poderia compartilhar eram meus conhecimentos para fazer sabão ecológico. Foi quando chamei outras mães para se unirem ao projeto e buscarem alguma renda para ajudar a sobreviver – conta ela.

De lá pra cá, algumas coisas mudaram. Antes, devido ao aumento de casos de covid-19 e ao decreto de bandeira preta na região, o projeto demorou para engrenar. De acordo com Rosana, hoje, apenas cinco mulheres do grupo inicial ainda participam das atividades. Elas se reúnem todos os sábados. Com o tempo, novas mulheres foram chegando, se adequando à proposta e compartilhando saberes.

"Projeto representa a força que tenho hoje"

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Além das conquistas materiais em si, está o fortalecimento nas batalhas diáriasFoto: Grupo Marias / Divulgação

No final do ano passado, duas mulheres do grupo já estavam capacitadas como artesãs e com a carteira do FGTAS para participarem de feiras. Mas, muito além das conquistas materiais em si, está o fortalecimento nas batalhas diárias.

Kelem Lima de Oliveira, 33 anos, uma das integrantes do Grupo, considera que as Marias mostram que sempre uma pode ajudar a outra de alguma forma e que nenhuma delas estará sozinha.

– Pra mim, esse projeto representa a força que tenho hoje para continuar vivendo e lutando. Estamos aqui para mostrar que todas as mulheres são capazes, independente da trajetória de vida, não podemos desistir. As Marias são minha segunda família – comenta Kelem.

Para Rosana, o projeto significa “um grito coletivo de liberdade”:

– Assim como algumas delas, vivi a minha infância observando minha mãe sendo diminuída e hostilizada. Quando casei, tive os mesmos problemas, até me separar. A sensação de ajudar outra mulher a se reerguer é como dar voz a si mesma e fortalecer a cada dia para não ser apagada outra vez.

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Ajude as Marias

/// O Grupo está em busca de uma sede própria. Apesar de terem imenso carinho e gratidão pelo CIJ Monteiro Lobato, onde ocorrem os encontros, como conta Rosana, elas precisam de um local para chamar de seu. Querem ter maior autonomia para oferecer suas atividades, visando até expandir os dias de atendimento.

/// Ainda não temos receita para locação de espaço físico e vivemos com doações e voluntariado. Precisamos de uma sede – conta a coordenadora.

/// Você pode ajudar as Marias com doações de materiais para a realização das oficinas: tesouras, pincéis, tintas, agulhas de crochê,  tricô, linhas. Além disso, elas aceitam alimentos, leite, produtos de higiene, fraldas infantis e geriátricas, com o intuito de apoiar as famílias mais carentes. 

/// Para isso, basta entrar em contato pelo telefone (51) 99939-6005 ou pelo e-mail grupomarias2021@gmail.com. Também é possível acompanhar o projeto pelo Instagram @grupo.marias.

Produção: Leonardo Bender

 
 
 
 
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