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Morador reclama de atendimento do transporte social em Viamão
Há pouco mais de dois meses, paciente se mudou e ainda não conseguiu que veículo da prefeitura passe a buscá-lo e deixá-lo no novo endereço

Há pouco mais de dois meses, o ajudante de obras Édson Abreu Silva, 44 anos, se mudou para a Comunidade Quilombola Gomes e Silva, entre os distritos de Águas Claras e Capão da Porteira, na zona rural de Viamão. Por isso, solicitou à prefeitura que o transporte social utilizado para ir semanalmente às sessões de hemodiálise, na Santa Casa de Porto Alegre, passasse a lhe buscar no novo endereço. O pedido, porém, ainda não foi atendido pela prefeitura de Viamão.
– Continuam me buscando no mesmo ponto de antes, na Parada 110 (da rodovia) RS-040, a mais ou menos 20 quilômetros de onde moro agora – conta.
Alternativa foi recusada
Não é a primeira vez que o morador do Quilombo Gomes e Silva tem problemas com o transporte da prefeitura. Ele relembra que demorou para conseguir o benefício quando começou o tratamento. O caso, inclusive, foi retratado pelo Diário Gaúcho, em agosto de 2019.
Desta vez, o protocolo 498/2023 foi aberto e a prefeitura chegou a apresentar uma alternativa para agilizar o atendimento: que Édson passasse a fazer hemodiálise no Hospital Viamão. A proposta, porém, foi recusada por ele.
– Me trato na Santa Casa desde o início, já conheço as pessoas de lá e sou bem atendido. Além disso, se podem me buscar para ir ao Hospital Viamão, por que não podem me levar aonde vou sempre? – questiona.
Saúde em risco
Édson explica que, apesar de atualmente usar o próprio carro para ir até o ponto em que o transporte social o atende, não tem condições de manter essa despesa a longo prazo. Além disso, ele reclama dos riscos de fazer essa baldeação:
– Esses dias, tive um problema no meu carro e me atrasei. Quando cheguei na (parada) 110, o transporte social já tinha ido e me deixou. Precisei ir atrás dele para alcançar.
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Situações como essa, ressalta, colocam em risco a efetividade do tratamento para os rins. Isso porque, ao deixar de fazer a hemodiálise por uma semana, Édson começa a sentir os efeitos no corpo.
– Estou na fila do transplante e não posso perder, porque fico com falta de ar e começo a reter líquido – explica.
Mudança afetaria mais pacientes
Segundo a prefeitura de Viamão, para buscar e deixar Édson no portão do novo endereço, levando-o até a Santa Casa, na Capital, a rota em questão sofreria um atraso de uma hora e 30 minutos. Além disso, afetaria quatro pessoas que já usam o mesmo veículo.
O município alega ainda que a casa do paciente é de difícil acesso e fica afastada da RS-040. Por fim, reforça a possibilidade de atender ao pedido, adaptando a rota de outro veículo, que, neste caso, poderia levar Édson para tratamento no Hospital Viamão, sem prejuízos ou impactos para outros pacientes.
Produção: Guilherme Jacques