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Pílulas, DIU e Implanon: aprenda quais são os principais métodos contraceptivos disponíveis no SUS
A ginecologista Marta Hentschke detalha os mecanismos de ação e as taxas de falha de cada forma de prevenção de gravidez


Para evitar uma gravidez indesejada, foram criados os métodos contraceptivos. Em julho, o implante contraceptivo, ou Implanon, método que tem menor taxa de falha atualmente, foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Mas você sabe como cada um age no seu organismo? E quais são suas formas de uso? Seguindo a onda da última edição do Tua Saúde, que explicou como funciona o ciclo menstrual e a importância da mulher conhecer o seu próprio corpo, nesta semana, você vai aprender sobre quais são os principais métodos contraceptivos e como utilizá-los.
Tem hormônio?
Os métodos contraceptivos se dividem entre hormonais e não hormonais, ou seja, que têm ou não têm hormônios, como progesterona e estrogênio, em sua composição. Contudo, é preciso ressaltar que todos, sem exceção, têm uma taxa de falha, que pode ser maior ou menor de acordo com o uso.
A professora da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e ginecologista Marta Hentschke detalha:
— Nenhum método é 100% eficaz, todos apresentam algum risco de falha, embora a taxa varie muito entre eles. No entanto, temos que confiar nos métodos que escolhemos, principalmente quando usados de forma correta, porque eles fornecem alta proteção contra gravidez indesejada e também podem trazer benefícios no tratamento de outras doenças, como a endometriose. Podem ser usados em adolescentes, mulheres que nunca engravidaram... Toda paciente que já menstruou, é importante que seja avaliada por um ginecologista.
Não hormonais – não interferem no ciclo menstrual:
\\\ Métodos de barreira: são aqueles que criam uma barreira física para que o sêmen não adentre o canal vaginal, suba para o útero e seja fecundado. Entre eles estão os preservativos masculinos e femininos (camisinhas) e o diafragma. A taxa de falha desses métodos varia entre 8% e 21%. Estão disponíveis no SUS.
\\\ Métodos comportamentais: têm relação com ações para prevenir a gravidez, como o controle do período fértil, e o coito interrompido, quando o pênis é retirado do canal vaginal antes da ejaculação. A taxa de falha varia entre 10% e 20% nesses casos.
\\\ DIU de cobre: dispositivo inserido dentro do útero que cria um ambiente desfavorável para a fecundação. Não impede a ovulação, mas altera a consistência do muco cervical, danifica e interfere na mobilidade dos espermatozoides e afina o endométrio, dificultando a implantação do embrião. Dura até 10 anos, a depender do fabricante, e a taxa de falha é entre 0,6% e 0,8%. Está disponível no SUS.
Hormonais – interferem no ciclo menstrual:
\\\ DIU hormonal: dispositivo inserido dentro do útero que libera progesterona de forma contínua no organismo. Inibe parcialmente a ovulação e, assim como o de cobre, cria um ambiente desfavorável para a fecundação, afinando o endométrio e espessando o muco cervical. Dura entre cinco e oito anos. A taxa de falha é entre 0,5% e 0,7%.
\\\ Implanon: bastão transdérmico inserido no braço que libera progesterona de forma contínua no organismo, inibindo a ovulação. Tem duração de até três anos e possui a menor taxa de falha: menos de 0,1%. Recentemente, foi incorporado ao SUS e começará a ser distribuído em breve.

\\\ Injeções: existem dois tipos de injeções contraceptivas, que funcionam inibindo a ovulação. As mensais são compostas por progesterona e estrogênio e têm taxa de falha entre 0,1% e 3%. Já as trimestrais são compostas apenas por progesterona e têm taxa de falha entre 0,2% e 4%. Estão disponíveis no SUS.
\\\ Pílula anticoncepcional: método mais conhecido e difundido, por conta do custo-benefício. Devem ser tomadas sempre no mesmo horário e todos os dias para uma proteção mais abrangente.
Existem pílulas que têm o período de pausa, com comprimidos sem hormônio, para que a mulher tenha um sangramento e saiba que não está grávida. Esse sangramento, porém, não é menstruação, apenas uma baixa de hormônios, mas pode tranquilizar as mulheres que gostam de menstruar. Já os métodos hormonais de longa duração podem fazer com que a paciente não sangre mais, ou apenas tenha sangramentos de escape, a depender do organismo. As pílulas também podem ser combinadas (ser compostas por estrogênio e progesterona) ou serem apenas de progesterona. A taxa de falha varia entre 0,3% e 7% e estão disponíveis no SUS.
Importante:
\\\ A ginecologista Marta Hentschke orienta que a paciente leia a bula do seu anticoncepcional para tomá-lo de forma correta e garantir sua eficácia.
E a pílula do dia seguinte?
\\\ A pílula do dia seguinte é considerada um método de emergência. Deve ser tomada até 72 horas após a relação sexual desprotegida, mas é composta por uma alta dose de hormônios e pode causar diversos efeitos colaterais. Está disponível no SUS, mas Marta orienta:
— Se você toma a pílula anticoncepcional certinho, não tem por que usar. Se esqueceu três dias seguidos e teve uma relação desprotegida, pode ser uma opção. Mas se a paciente usar muitas vezes, é importante reavaliar o método e colocar um de longa duração, por exemplo.
Como escolher?
\\\ Consulte um médico na sua UBS, que vai levar em conta fatores comportamentais e contraindicações para orientar qual o melhor método para a sua rotina.
Produção: Elisa Heinski