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Seu problema é nosso04/06/2018 | 09h50Atualizada em 04/06/2018 | 10h24

Paciente espera há mais de um ano por consultas com especialistas, em Canoas

Jorge Passos precisa de atendimento com a área de neurocirurgia e ortopedia, mas espera pelo chamado desde janeiro do ano passado

Paciente espera há mais de um ano por consultas com especialistas, em Canoas Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Exame feito no ano passada já mostra as lesões na coluna de Jorge Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Enquanto falo contigo, estou deitado. Não posso caminhar, de tanta dor que eu sinto. É assim que o comerciário desempregado Jorge Luciano Passos Lucas, 41 anos, definiu à reportagem a dor causada pelas hérnias na coluna e pela coxartrose — desgaste na cartilagem que fica entre o fêmur e o osso da bacia. 

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O morador do bairro Niterói, em Canoas, convive com estes problemas desde o final de 2015. Até hoje, ele aguarda a chamada para duas consultas com especialistas no Hospital Universitário da Ulbra, na mesma cidade onde mora. E, mesmo com os repetidos contatos com a Secretaria Municipal de Saúde, não recebe prazo definitivo para o atendimento. 

— Preciso ser examinado por um traumatologista e um neurocirurgião. Porém, mesmo com os exames requisitados na consulta anterior já em mãos, nunca sou chamado — conta Jorge. 

Entre os contatos feitos com os órgãos de saúde, ele já registrou protocolos diretamente com a prefeitura de Canoas e também com o Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), gestor do Hospital Universitário (HU).

Internação 

No final de 2015, o comerciário foi internado no Hospital Nossa Senhora das Graças para tratar uma isquemia cerebral, consequência dos cinco Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) que já teve. 

Os problemas provocados pelos derrames — epilepsia, por exemplo — fazem com que, hoje, ele dependa de vários medicamentos diariamente. Mas, não bastasse a dificuldade que enfrentava para receber os remédios normalmente — como mostrou o Diário em abril e agosto do ano passado —, Jorge, agora, lida com a demora em seus atendimentos médicos. 

— Na internação de 2015, tive uma epilepsia e caí da maca. Em razão disso, fiz os exames que acabaram constatando as hérnias e a coxatrose. Fui encaminhado a um clínico-geral, que pediu as consultas com especialistas. Fiz a primeira no início de 2017, quando mais exames foram pedidos. Desde então, aguardo a reconsulta para poder mostrar estes papéis e receber meu diagnóstico — relembra o morador de Canoas. 

Entre os exames feitos por Jorge e que aguardam análise dos médicos especialistas, estão uma ressonância magnética da coluna lombo-sacra, raio X desta mesma região e uma tomografia da coluna lombar. 

— Os exames logo vencem, aí vou ter que fazer tudo de novo, sem nem ter sido chamado para a consulta ainda — protesta. 

Atendimento será realizado neste mês 

Segundo a assessoria de imprensa do Gamp, a demora na realização das consultas com especialistas na área de traumatologia e neurocirurgia se deve ao local ser referência para 76 municípios em ortopedia e para 43 em neurologia. 

O Gamp garante, entretanto, que desde março, em parceria com a prefeitura de Canoas, vem realizando mutirões de saúde que já retiraram da fila de espera mais de 1,6 mil pessoas em diversas especialidades, entre elas, neurologia. 

Em nota, o grupo ressalta que "quem determina o retorno do paciente às consultas é a equipe médica. A orientação é que, após passar pela consulta, ele (o paciente) se dirija à recepção e agende a volta, caso seja indicado pelo profissional da área. Se não houver indicação, deverá aguardar ser chamado, conforme a fila de espera".

Quanto ao caso de Jorge, o HU verificou que, desde 2014, ele deixou de comparecer a dez consultas agendadas no hospital, sendo que três delas foram em neurocirurgia (a última ocorreu em janeiro deste ano), uma das especialidades em que está buscando reconsulta. 

Mesmo assim, o Gamp informou que as próximas consultas agendadas para o paciente serão no dia 27 de junho, às 13h, com a equipe de ortopedia, e dia 29 de junho, às 7h, com o neurocirurgião. 

Questionado pela reportagem, Jorge diz que não foi chamado ou informado de nenhum dos atendimentos relatados pelo Gamp.

*Produção: Alberi Neto

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