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Seu problema é nosso06/06/2018 | 09h52Atualizada em 06/06/2018 | 09h52

Paciente espera por consulta com especialista há quase um ano, em São Leopoldo

Sem poder trabalhar devido às fortes dores, Eliane permanece em casa com os filhos - ambos com autismo

Há quase um ano, a dona de casa Eliane Malheiros da Costa, 40 anos, aguarda por uma consulta com gastroenterologista. Em julho do ano passado, a moradora de São Leopoldo sentiu fortes dores no abdômen e foi ao Hospital Centenário, onde fez exames de sangue, de urina e uma ecografia. Após a análise dos resultados, foi constatado que a dona de casa tem hemangiomas hepáticos — tumores benignos formados por vasos sanguíneos no fígado. 

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Em 12 de dezembro de 2017, Eliane teve sua história contada nas páginas do Diário Gaúcho, quando já estava aguardando pela consulta com o especialista e também por uma tomografia do abdômen que, após a publicação da reportagem, foi realizada. 

— Agora, ainda espero pelo gastro — conta Eliane. 

Sem poder trabalhar devido às fortes dores, Eliane permanece em casa com os filhos — ambos com autismo, um menino de oito anos e uma menina de 11 anos. O nível da doença do filho é considerado grave e, por isso, a família recebe auxílio do governo. 

— Esse dinheiro é para o meu filho, para os cuidados dele. Então, sem eu ter renda, meu marido faz malabarismos para conseguirmos comprar remédios e outras coisas da casa — relata a dona de casa.

Angustiada, Eliane aguarda a consulta para continuar o tratamento dos hemangiomas hepáticos. 

Caminho 

O primeiro passo de Eliane foi procurar o Hospital Centenário, em julho do ano passado, quando foi feito o encaminhamento para especialista em Porto Alegre. A dona de casa conta que a justificativa foi de que não há profissionais desta área em São Leopoldo. 

Sem solução, procurou também a Unidade Básica de Saúde Jardim América, onde consultou com mais uma médica, que também requisitou o encaminhamento para a Capital. 

— Eu sei que não tem gastro aqui e que eles fizeram o encaminhamento, mas faz muito tempo. Sinto dores direto, não consigo comer e sinto náuseas. Só quero o direito de fazer o tratamento e conseguir cuidar dos meus filhos — desabafa Eliane. 

Estado de Eliane não é grave, diz secretaria 

Em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde (SES), a reportagem foi informada que o cadastro de Eliane para consulta com gastroenterologista foi feito no dia 7 de novembro de 2017. O pedido foi regulado pelo Telessaúde, que indicou a necessidade de Eliane para consulta com prioridade 3. 

Com essa classificação, feita pelo regulador, pacientes com prioridade 1 e 2 são considerados mais graves que o caso de Eliane. As consultas acontecem de acordo com a gravidade que são reguladas, não pelo tempo de espera. Agora, segundo a SES, é preciso que Eliane aguarde a agenda. 

Caso haja piora no quadro, a SES sugeriu que a Secretaria Municipal de Saúde entre em contato com o Telessaúde e atualize o quadro clínico no sistema a fim de checar a possibilidade de enquadrar a paciente em outra prioridade de regulação. 

Já a Secretaria Municipal de Saúde de São Leopoldo informou que existe um credenciamento municipal aberto para a realização de consultas em gastroenterologia, porém, até o momento, nenhum profissional médico se mostrou interessado em atender nessa especialidade na cidade. É por este motivo que Eliane está cadastrada no Sistema de Gerenciamento de Consulta do Estado (Gercon).

*Produção: Eduarda Endler 

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