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Transporte público30/01/2020 | 10h19Atualizada em 30/01/2020 | 10h22

As linhas de ônibus com mais reclamações de atraso em Porto Alegre

T4 (Triângulo/Barra Shopping) é o campeão de reclamações por atraso em 2019. Ao todo, passageiros efetuaram 17.197 registros pelos canais da EPTC durante 2019

As linhas de ônibus com mais reclamações de atraso em Porto Alegre Jefferson Botega/Agencia RBS
Registros são feitos pelos passageiros através do telefone 118 Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS

O tempo passa e segue a demora para conseguir embarcar no ônibus. Assim como em julho de 2019, as reclamações por descumprimento da tabela horária são aquelas que mais chegam à Empresa Pública de Transporte e Circulação por meio do telefone 118. 

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Na metade do ano passado, o Diário Gaúcho mostrou o ranking das linhas que mais atrasavam na cidade. E agora, com os números do ano todo, é possível perceber que a linha T4 (Triângulo/Barra Shopping), operada pela Carris, segue na liderança desta indesejável competição. 

No total, foram 6.971 reclamações de atraso registradas por passageiros na EPTC. Um ponto positivo é que o número foi 13% menor do que em 2018, quando foram feitos 8.093 registros.

Mas não é só o T4 que incomoda a Carris. Das 10 linhas com mais reclamações de descumprimento da tabela horária, sete são operadas pela empresa e outras três por consórcios privados. 

Além do T4, que ficou liderança do ranking, com 265 registros de descumprimento de tabela horária, o top cinco da linhas atrasadas ainda é composto pelos itinerários T3 (Estação São Pedro/Barra Shopping) — 252 registros —, T11 (Aeroporto/Terceira Perimetral) — 174 reclamações—, T1 (Triângulo/Receita Federal) — 132 relatos —, e T9 (Santa Casa/Ipa/Puc) — 131 reclames.

A dificuldade das empresas de ônibus em cumprir horários não é novidade. O Diário acompanha o ranking, ao menos, desde 2017. Mas foi na reportagem de agosto do ano passado, entretanto, que uma mudança na disposição da tabela foi notada. As linhas da Carris, que em anos anteriores não apareciam no topo, se tornaram os principais alvos dos usuários.

Outras razões

Além dos atrasos, os passageiros de Porto Alegre têm sido ativos na hora de reclamar de outras questões relacionadas ao transporte público da cidade. De acordo com os dados obtidos com exclusividade junto à EPTC, durante todo o ano de 2019, foram 17.197 registros pelo telefone 118 — principal canal de comunicação do órgão. O número representa uma média de 47 reclamações por dia. Os descumprimentos de tabela horária por parte dos coletivos representaram 40,5% das reclamações. 

Entre os outros motivos registrados pela EPTC, a recusa do embarque de passageiro ocupa a segunda posição, com 2.032 reclamações — 11,8% do total. Na sequência, ainda aparecem temas como dirigir com excesso de velocidade ou imprudência — 1.189 relatos, 6,9% do total —, sujeira ou má conservação dos ônibus — 909 reclamações, 5,3% do total —, falta de educação do cobrador — 772 reclamações, 4,5% do total — ou do motorista — 691 relatos, 4% do total —, e recusar o desembarque do passageiro — 395 reclames, 2,3% do total.

Usuários sentem o problema

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - 24.01.2020 -  As linhas de ônibus que mais atrasam e mais são multadas na Capital. Na foto: Rosana Gonçalves. (Foto: Jefferson Botega/Agencia RBS)
Rosana relata insatisfação geral com o sistema de transporte públicoFoto: Jefferson Botega / Agencia RBS

Quem circula pela Capital e depende de ônibus sabe como ninguém dos desafios enfrentados pelos passageiros diariamente. A pedagoga Rosana Gonçalves, 54 anos, costumam se deslocar da Zona Norte para a região central. Mesmo tendo que usar o ônibus com frequência, ela não gosta do sistema.

— Acho tudo ruim. Porém, as coisas que mais me incomodam é a qualidade dos ônibus, que estão cada vez mais velhos e sujos. Durante o ano e já atrasa, mas no verão fica ainda pior — critica ela.

E para os estudantes Mariliane Souza dos Santos, 20 anos, e Djonathan Stoll, 18 anos, o desafio é embarcar no ônibus. Ela vive na Zona Leste, bairro Partenon, e ele vem do bairro Rubem Berta, na Zona Norte. Ambos estudam em cursos livres no Centro.

— Já passei algumas vezes pelo problema de o motorista não parar e permitir que eu suba no ônibus. As vezes passam voando pela parada — cita Djonathan.

— E ainda tem aquele caso de quando tem um ônibus embarcando e o que vem atrás passa reto, sendo que é este que eu preciso — completa Mariliane. 

GPS deve diminuir registros

O Diário Gaúcho entrou em contato com os quatro consórcios que operam em Porto Alegre e a Carris. Além de um retorno sobre as reclamações mais constantes, o DG pediu que as empresas comparassem o teor dos relatos feitos à EPTC com aquelas reclamações recebidas pelos próprios através de seus canais de atendimento. Os quatro consórcios, por nota, ressaltaram que os números de relatos são muito pequenos em relação ao número de viagens que é realizado diariamente na cidade.

O consórcio Viva Sul ressaltou que as reclamações de atraso estão caindo, principalmente, pela instalação de sistema de GPS nos ônibus. Assim, os usuários podem saber quando os carros chegam nas paradas. O operador também justificou que "as linhas com mais reclamações de falta de cumprimento de tabela horária são linhas que tem muito pouca quilometragem percorrida em corredores ou faixas exclusivas". Ou seja, aquelas que ficam mais presas no trânsito.

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Para os consórcios Via Leste e Mais, que responderam em nota conjunta, garantem que as reclamações recebidas por eles estão "dentro de qualquer parâmetro de tolerância na prestação do serviço". O consórcio MOB, que opera, principalmente, na Zona Norte, cita que "as linhas com maior índice de reclamações são de percurso longo, com itinerário passando em pontos críticos da cidade na hora do pico, além de não possuir ponto intermediário de controle, já que são linhas circulares".

A Carris, por sua vez, alega que a presença em boa parte das posições do ranking de atrasos se deve a dois fatores. O primeiro é a falta de tripulação, com o número elevado de cobradores e motoristas que faltam ao trabalho. Além disso, ainda há o envelhecimento da frota, que reduz a disponibilidade de veículos para a operação. Como solução, a Carris alega que 87 novos ônibus devem estar circulando ainda no primeiro semestre. A última compra de coletivos pela empresa foi em 2014. Atualmente, a idade média da frota da Carris é de 10 anos. 

As linhas que mais atrasam

: T4 — (265 registros) — Carris
: T3 — (252 registros) — Carris
: T11 — (174 registros) — Carris
: T1 — (132 registros) — Carris
: T9 — (131 registros) — Carris
: T2A — (110 registros) — Carris
: B55 — (108 registros) — Consórcio Mob
: 429 — (104 registros) — Consórcio Via Leste
: B02 — (101 registros) — Consórcio Mob
10º: T12 — (97 registros) — Carris

O ranking das reclamações

: Falha no cumprimento Tabela Horária — 6.971 registros
: Recusar embarque de passageiro — 2.032 registros
: Dirigir com excesso de velocidade e/ou imprudência — 1.189 registros
: Veículo em mau estado de conservação e/ou higiene — 909 registros
: Cobrador faltou com urbanidade — 772 registros
: Motorista faltou com urbanidade — 691 registros
: Recusar desembarque de passageiro — 395 registros

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