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Seu Problema é Nosso08/09/2021 | 09h00Atualizada em 08/09/2021 | 09h00

Em São Leopoldo, grupo oferece oficinas gratuitas de teatro  

Ensaios ocorrem na sede da associação de moradores do bairro

Em São Leopoldo, grupo oferece oficinas gratuitas de teatro   Guilherme Santos / Divulgação/Divulgação
Grupo já impactou cerca de 150 crianças e adolescentes da comunidade Foto: Guilherme Santos / Divulgação / Divulgação

No final de 2016, o educador social João Marcelo Schneider, 24 anos, foi convidado para acompanhar os ensaios de uma peça de teatro desenvolvida na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) João Goulart, na Vila Brás, localizada no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo. O que ele não imaginava é que aquele era o início do grupo Movidos Pela Arte, que, hoje, oferece oficinas de teatro gratuitas para crianças e adolescentes da comunidade. 

De acordo com João, o grupo foi uma iniciativa de alunos que, na época, cursavam o 9º ano. Após o primeiro desafio, os estudantes quiseram continuar os encontros. De lá para cá, 150 crianças e adolescentes já foram impactados pelas ações do grupo, que realiza as oficinas na sede da Associação de Moradores da Vila Brás (Rua Leopoldo Wasun, 984). 

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Segundo João, as atividades são organizadas por ele e mais quatro jovens:

– É um trabalho construído em conjunto.

O auxiliar de produção Marcelo Lopes de Miranda, 22 anos, foi um dos jovens que participaram da criação do grupo. Para ele, é gratificante ver que o projeto se ampliou desde 2016.

– É muito bom sentir que faço parte disso. Agora não mais como um aluno, mas como um colaborador – orgulha-se.

Solidariedade

Atualmente, a única fonte de renda do grupo são editais. Em março de 2020, o grupo foi contemplado com um deles, que possibilitou a criação de um projeto que previa o oferecimento de oficinas para 60 jovens da comunidade. Mas, após a primeira semana de oficinas, elas precisaram ser suspensas por causa da pandemia. 

A ideia é que o projeto seja retomado em 2022. Mas o grupo não deixou de ser ativo na comunidade durante este período, e realizou doações para as famílias dos participantes. Foram arrecadados alimentos e produtos de higiene para este fim. Além disso, por meio de uma parceria, eles receberam a doação de meia tonelada de alimentos. 

– Conseguimos fazer doações em diversos momento para as famílias. Foi bacana perceber como existe solidariedade na comunidade – afirma João. 

Novo formato

A rotina do grupo, antes da pandemia, era bastante intensa. Frequentemente, os integrantes eram convidados para eventos em escolas da região. Pelo menos uma vez por ano, promovia a mostra de talentos na associação de moradores.

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– Transformávamos o salão de festa em um espaço de teatro. Era o momento de prestação de contas para a comunidade – destaca João. 

Desde agosto, o grupo tem realizado oficinas de teatro que fazem parte do curso “Teatro do Oprimido: o Curinga Comunitário”. O projeto está sendo executado de forma híbrida: parte presencial e parte a distância. A formação será concluída no dia 12 de setembro. Segundo João, o curso tem como objetivo motivar os alunos a se tornarem multiplicadores das técnicas ensinadas. O Teatro do Oprimido (TO) é uma metodologia construída pelo brasileiro Augusto Boal como uma ferramenta para discutir e refletir sobre as opressões enfrentadas no dia a dia. 

Grupo Movidos Pela Arte promove aulas de teatro em São Leopoldo. João Marcelo Schneider é educador social e professor <!-- NICAID(14879381) -->
Jovens têm apoio da comunidadeFoto: Guilherme Santos / Divulgação

Projeto enche moradores de orgulho

Segundo a responsável pela portaria da EMEF João Goulart e moradora da Vila Brás há 35 anos Adriana Guerra Carvalho, 39 anos, o projeto é considerado o “ouro” da comunidade. A possibilidade de ver os jovens envolvidos em atividades culturais faz com que moradores se alegrem e se tranquilizem. Além disso, ela explica que os jovens oferecem um espetáculo dentro e fora do palco:

– As crianças e os adolescentes estão muito envolvidos. O projeto abrange todo mundo e tem animado a juventude da comunidade. Eles não ficam na rua, têm compromisso, gostam do que fazem.

O profissional autônomo Roberto de Lima, 53 anos, conta que a filha Débora de Lima, 14 anos, e o filho Alisson de Lima, 12 anos, estão ansiosos para voltar às oficinas: 

– Faz dois anos que eles participam. Eu fico muito feliz pelo incentivo que recebem. E ainda ficam longe da criminalidade.

Produção: Kênia Fialho

 
 
 
 
 
 
 
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