Idosa de Gravataí está há mais de quatro anos à espera de cirurgia  - Diário Gaúcho

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Seu Problema é Nosso30/05/2019 | 09h20Atualizada em 30/05/2019 | 09h20

Idosa de Gravataí está há mais de quatro anos à espera de cirurgia 

Luzia Saldanha Teixeira, 65 anos, fraturou o braço em 8 de outubro de 2014 e, a partir desse dia, começou a verdadeira novela de aguardar o procedimento de reparação

Idosa de Gravataí está há mais de quatro anos à espera de cirurgia  Robinson Estrásulas/Agencia RBS
Luzia com sua tipoia e a papelada acumulada Foto: Robinson Estrásulas / Agencia RBS

Quando, em 8 de outubro de 2014, a aposentada Luzia Saldanha Teixeira, 65 anos, tropeçou na calçada e fraturou o úmero direito — osso do braço, que articula com a escápula, no ombro —, não imaginava que o que viria a seguir seria uma verdadeira novela. 

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No mesmo dia da queda, a idosa consultou na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de sua cidade, Gravataí. O diagnóstico foi certeiro: o problema só poderia ser resolvido com cirurgia. Desde então, mais de quatro anos se passaram, mas Luzia segue aguardando pelo procedimento. 

“É desesperador” 

A tipoia, utilizada para sustentar o braço imobilizado, já é quase uma extensão do corpo da aposentada, que relata ter dificuldades nas tarefas do dia a dia, além da dor constante no local da fratura. O caso já foi retratado duas vezes pelo Diário, no ano passado. 

— Em outubro, fará cinco anos que eu estou assim e ainda no aguardo da famosa chamada (para a cirurgia). Não consigo fazer a maioria das coisas, necessito de ajuda para quase tudo. É desesperador — desabafa. 

Com o diagnóstico atestando a necessidade do procedimento cirúrgico, Luzia foi encaminhada para sua realização pela Secretaria Municipal de Saúde de Gravataí. Com a demora, ainda em 2014, a idosa acionou um advogado para reivindicar mais agilidade na resolução de seu problema de saúde. Alguns dias depois, Luzia relata ter sido encaminhada para consulta de avaliação no Hospital Dom João Becker, em Gravataí. 

Após essa avaliação inicial, seu caso foi transferido para o Hospital Universitário (HU), em Canoas. A partir daí, dezenas de consultas e exames acompanharam a rotina da aposentada. 

— Me empurraram com a barriga. Chegava lá, consultava, fazia exames e nunca fui chamada para a cirurgia — relembra a idosa, a respeito do atendimento prestado no HU. 

 GRAVATAÍ, RS, BRASIL 28/05/2019 - Luzia Saldanha Teixeira fraturou o úmero em agosto de 2014. No mesmo dia foi encaminhada para cirurgia pela Secretaria de Saúde de Gravataí e, desde então, aguarda pela realização do procedimento. (FOTO: ROBINSON ESTRÁSULAS/AGÊNCIA RBS)
Exames mostram fratura no braçoFoto: Robinson Estrásulas / Agencia RBS

Uma saga para ser atendida

No final de 2018, a aposentada relata ter procurado a Secretaria Municipal de Saúde de Gravataí para pedir que seu caso fosse transferido a outro hospital, pois não estava satisfeita com o atendimento prestado até aquele momento. Segundo ela, a orientação que recebeu foi de que deveria retornar a um posto de saúde e solicitar um novo encaminhamento para a cirurgia. 

Em 26 de dezembro, a idosa voltou a consultar na Unidade de Saúde Vila Branca, em Gravataí. Após a consulta, ela foi, mais uma vez, encaminhada ao Hospital Dom João Becker, onde foi atendida por médico traumatologista e realizou uma série de exames pré-operatórios, que ficaram prontos em 10 de abril. Hoje, Luzia está na fila de espera para a cirurgia nas duas instituições envolvidas em seu caso, o HU, em Canoas, e o Dom João Becker, em Gravataí. 

Até o fechamento da reportagem, a paciente relata não ter sido contatada para agendar o procedimento por nenhum dos hospitais: 

— Estou confiante, mas em parte. Só espero que não demore mais quatro anos. 

Operação em junho

A prefeitura de Canoas, responsável pelo HU, atribuiu a demora ao fato de a cidade ser referência em saúde para 156 municípios. Afirma, ainda, que a paciente segue em espera e tem consulta marcada para 5 de junho. 

A Secretaria de Saúde de Gravataí afirmou que realizou cinco cobranças de providências ao HU, referentes à demora. Questionada sobre a necessidade de a paciente retornar à unidade de saúde, mesmo após longo período de espera, a pasta afirmou que é preciso fazer atualização dos dados clínicos para encaminhá-la a outro hospital. 

Segundo a Santa Casa de Misericórdia, que administra o Dom João Becker, Luzia deve ser chamada para cirurgia em junho. O hospital explicou que, no início, a paciente foi encaminhada ao HU devido à complexidade do caso. Entretanto, agora, o procedimento deve ser realizado em Gravataí, não havendo necessidade de novo encaminhamento ao HU. 

Produção: Camila Bengo

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