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Qualificação08/03/2022 | 10h02Atualizada em 08/03/2022 | 10h02

Escola de Hip Hop da zona norte da Capital lança workshop para DJs

Formação gratuita ocorre no dia 19 de março

Escola de Hip Hop da zona norte da Capital lança workshop para DJs Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Edinho DK será o professor dessa edição do workshop Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Democratizar o acesso à cultura e oferecer formação musical de qualidade são alguns dos objetivos do workshop de DJ promovido pela Escola de Hip Hop, na zona norte de Porto Alegre. O encontro, que ocorre no dia 19 de março, é uma das atividades oferecidas pela escola, que tem como diferencial uma prática pedagógica criada a partir do movimento cultural Hip Hop. 

A escola é um dos projetos desenvolvidos pela Associação Alvo Cultural e foi criada em 2021 a partir do edital da Secretaria de Cultura do Estado (Sedac) com a Fundação Marcopolo que contou com recursos da Lei Aldir Blanc.  De acordo com o produtor cultural e presidente da associação, Jean Felipe Almeida de Andrade, 39 anos, o workshop é feito desde 2011 e é dividido em dois momentos: o de contextualização do movimento Hip Hop e o de apresentação das técnicas e dos equipamentos:

– O Hip Hop é um movimento que nasceu nos Estados Unidos e ganhou o mundo. O workshop se torna um momento em que nosso público se aproxima ainda mais dessa cultura e enxerga nela uma possibilidade de profissionalização.

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Ensino

A Escola de Hip Hop oferecerá, ao longo do ano, atividades que abordam os quatro pilares do movimento cultural: o Rap (rima), o DJ (base musical), o Break (dança) e o Grafite (arte urbana). Atualmente, a associação cultural possui uma equipe fixa de quatro pessoas sendo duas voluntárias e duas remuneradas. Para se manter, a iniciativa participa de seleções por editais públicos e recebe doações. Além disso, explica Jean, há voluntários, como o DJ Edinho DK, que doam seu trabalho. O presidente conta que, atualmente, a associação analisa a criação de uma campanha de apadrinhamento em que pessoas físicas e jurídicas possam patrocinar a participação dos alunos nas atividades. 

O foco da escola de Hip Hop é atingir, especialmente, o público jovem de 14 a 26 anos. Mas, dependendo da atividade proposta, a escola é procura por pessoas de diferentes idades como crianças e idosos. Além disso, por ser uma instituição que nasceu na periferia, Jean afirma que o participante ideal é o jovem de comunidade: 

– Queremos dar oportunidade para quem precisa ampliar seu horizonte e ter acesso à cidadania por meio da cultura. A gente acredita que a cultura tem que chegar para todo mundo. 

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Escola tem em sua metodologia a cultura Hip HopFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Profissionalização com foco em gênero, raça e classe

O workshop terá no máximo 15 participantes, por isso, a equipe adota critérios para selecionar os estudantes. O primeiro deles é a questão de gênero. Jean explica que o número de mulheres atuando como DJs, dentro do Hip Hop, ainda é muito baixo. Por conta disso, a associação da prioridade para a participação feminina. Além disso, jovens negros ou de baixa renda também são prioridade. As inscrições podem ser feitas até o dia 14 de março pelo site alvocultural.com. A divulgação dos selecionados ocorrerá no dia 16 de março no mesmo site. Também haverá uma lista de espera para que, caso haja alguma desistência, um dos suplentes possa participar.

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Na atividade serão apresentados os equipamentos, a maneira correta de montá-los e técnicas como compasso, contagem de tempo, estrutura da música, mixagem e efeitos.

– Os alunos vão poder meter a mão na massa. Vai ser uma atividade muito prática e que vai possibilitar tirar dúvidas sobre a carreira do DJ, como se consolidar no mercado, quais os melhores equipamentos para começar – garante Jean.

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Gau participou do curso de DJs oferecido em 2021Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Ex-aluna

A beatmaker e DJ moradora do bairro Sarandi Adrienni Rodrigues, conhecida artisticamente como Gau Beats, 27 anos, é uma das ex-alunas do curso de DJ promovido pela Escola de Hip Hop em 2021. A formação, financiada por verba de edital, possibilitou que a artista desse o primeiro passo em direção ao tão sonhado trabalho na área. Ela conta que, em outras circunstâncias, não teria possibilidade de realizar o curso, devido ao alto custo financeiro:

–  Foi um experiência única pra mim, eu não tinha nenhuma base de discotecagem e em cada aula ministrada eu saia de lá com vontade de voltar logo pra próxima. 

Gau Beats enxerga o cenário musical como um campo que ainda precisa ser melhor explorado por mulheres. Ela destaca que setores como a mídia ainda precisam validar o trabalho feminino. Para isso, acredita que cada vez mais é preciso que haja projetos com foco em mulheres e remunerações adequadas.

– A gente luta no dia a dia pra tentar chegar ainda mais longe. É cansativo mas desistir já não é mais uma opção.

A DJ conta que já começou a colher os frutos plantados no ano passado. Ela já está fechando agenda como DJ e no dia 16 de março terá um set (sequência de faixas musicais) lançado por uma rádio carioca.

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“Embasamento cultural”

Jean destaca que a cultura Hip Hop é uma das maiores expressões musicais no Brasil. Por isso, é um mercado que está aquecido principalmente pela popularização de ritmos musicais como o rap e o trap.

– Já é comum vermos artistas pops, de renome nacional, fazendo parcerias com rappers e MCs – afirma Jean. 

Mas, o produtor cultural enfatiza que o mercado está atento aos DJs profissionais, que apresentam um trabalho consistente e de qualidade. Para isso, conta, é preciso que o profissional esteja sempre atento às tendências e buscando aprimorar a técnica:

– É preciso ter embasamento cultural e dominar as técnicas. A função do DJ, dentro da cultura Hip Hop, é educar o ouvinte. É dever do DJ apresentar novos artistas, novas tendências e conteúdos de qualidade.

Confira os prazos

/// 14 de março: data limite para realização das inscrições pelo site alvocultural.com.

/// 16 de março: divulgação das listas de selecionados e de suplentes.

///  19 de março: realização do workshop das 14h às 17h, na sede da associação Alvo Cultural (Avenida Baltazar de Oliveira Garcia, 2132, Rubem Berta, Porto Alegre).

Produção: Kênia Fialho

 
 
 
 
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